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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Vinho do Porto da entrada à sobremesa?! SIM!

Sim, a primeira impressão de qualquer enófilo ao ouvir tal proposta é de natural espanto. E comigo não foi diferente, quando ouvi falar sobre esta possibilidade em um jantar harmonizado com o renomado sommelier português José Carlos Santanita, em abril.

Pois não é que o escanção lusitano resolveu levar a cabo o desafio? Completando a parceria na cozinha, o chef Vinícius Figueira do Bistrot Du Vin elaborou o cardápio do jantar, que aconteceu no último dia 20, e do qual tive o prazer de participar, na companhia de minha mãe.

Deixo aqui as minhas impressões sobre os pratos e as harmonizações. Depois farei postagens mais detalhadas sobre cada vinho:

Entrada: 
O jantar teve como entrada um salmão assado em papel alumínio com shimeji, tomate cereja e manteiga de garrafa com ervas. Perfeitamente executado, salmão naquele ponto tenro, levemente cru por dentro ainda. A manteiga de garrafa conferiu corpo e untuosidade ao prato, e o shimeji fechou o conjunto. Prato preferido da minha mãe no jantar.

O vinho harmonizado foi o Porto Burmester White, um porto branco com algum corpo e untuosidade, e bela acidez, que combinou com a manteiga de garrafa, e aromas a frutas brancas, em compota (damasco), amêndoas e leve floral no retro-olfato.

Entre os vinhos tranquilos, o prato precisaria de um branco mais estruturado, como um Chardonnay com algum tempo em barrica. 

1º Prato: 
O primeiro prato foi o que mais me atraiu, quando li o menu. Um polvo salteado com  muito alho, batatas ao murro e tomate confitado em azeite e alho. O prato também estava bem feito, mas acho que o polvo podia ter ficado um pouco mais macio, falha comum no preparo deste molusco. O restante estava perfeito.


O vinho escolhido para harmonizar foi o Porto Ramos Pinto Tawny, um Tawny básico, jovem, com aromas a ameixas, passas, leve especiaria e folhas de chá. Bela acidez e corpo mais leve que eu imaginava. 

O vinho casou bem com a estrutura do prato, na acidez do vinho com a do tomate, a gordura do confit e estrutura do polvo com a untuosidade da bebida. O aroma de folha de chá também combinou de forma interessante com o alecrim usado no prato. 

2º Prato:
O segundo prato foi um filé mignon au poivre com museline de mandioquinha e farofa de castanha do pará. Achei o ponto da carne um pouquinho além do que acho adequado para um filé mignon, mas ainda estava satisfatório. O poivre estava ótimo, com pimenta levemente acentuada e estrutura propositalmente mais cremosa do que o comum, devido ao vinho. A textura da farofa também estava notável, com uma crocância deliciosa.

O vinho escolhido para esta etapa foi o Ramos Pinto Reserva, e aí a coisa começou a ficar mais séria. Um Tawny cujo blend tem idade média de 6 a 7 anos em madeira. Aromas a fruta seca (ameixa, figo), ervas aromáticas, leve floral, especiarias, uma festa no nariz! Muito untuoso, perfeitamente equilibrado, persistência gigante, um leve mentolado na boca, café e notas oxidativas. 

Devido à pimenta levemente acentuada, tenho certeza que este prato casa muito melhor com o vinho do porto do que com um tinto não-fortificado, uma vez que o prato demanda um vinho estruturado, e um tinto estruturado certamente teria taninos muito perceptíveis, o que ampliaria a percepção da pimenta. O poivre mais espesso combinou com a estrutura do vinho, e o molho ajudou a acentuar a percepção dos aromas no retro-olfato. Perfeito! 

Sobremesa:
Em termos de vinhos, aqui a coisa realmente ficou muito séria. Foi servido um Burmester LBV 2005, de cor muito intensa. A intensidade se repete de forma incrível no nariz, com frutas negras, especiaria, menta, cereja, floral muito nítido no retro-olfato, e notas nítidas de madeira. Muito persistente, opulento, absurdamente concentrado, e ainda assim, não é enjoativo.

Para acompanhar, foi servido um bolo de chocolate molhado, com chantilly de pimenta, que casou muito bem com o vinho fechando a noite da melhor forma possível. 

Considerações de um comensal satisfeito...
A minha conclusão? Sim, é possível harmonizar todas as etapas de uma refeição com vinhos do porto, e muitas vezes obter resultados melhores do que com vinhos não-fortificado nos momentos mais inusitados, como foi o caso do segundo prato deste jantar.

A experiência foi inesquecível como exercício didático, mas por outro lado, não creio que seja a melhor saída harmonizar um cardápio inteiro com vinho do porto, senão com este fim de experiência exótica e de aprendizado. 

Por se tratar de uma bebida com dulçor e teor alcoólico acentuados, o vinho do porto é naturalmente mais estruturado do que um vinho seco, e demanda pratos igualmente estruturados, como foi o caso de todas as etapas da refeição.

O resultado é um jantar delicioso, mas extremamente pesado, servido com bebidas igualmente pesadas. Partes isoladamente  perfeitas, mas que ao serem ligadas se tornando uma refeição, se desequilibram pelo excesso.

Ainda assim, é uma experiência que todo enófilo deveria fazer ao menos uma vez!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Wine Bahia: Eu fui!

Aconteceu aqui em Salvador, nos dias 10 e 11, o Wine Bahia, criado em 2005 e cada vez mais consolidado no mercado de eventos de vinhos no Norte-Nordeste. O evento, promovido pela Lícia Fábio Produções, ocorreu no Hotel Mercure, e contou com a presença de diversos produtores nacionais e importadoras.
Conto um pouco aqui de como foi a visita. Feliz, ou infelizmente, quase não fiz notas de degustação.

O evento em si teve alguns problemas de organização, que me irritaram a princípio. Mas confesso que a qualidade dos stands, dos vinhos servidos, e a disposição de todos os expositores em não apenas mostrar o seu produto, mas conversar sobre esta paixão comum  a nós que é o vinho, fizeram o evento memorável. (Além da adorável companhia de minha irmã, Roberta, e dos amigos Guto, Valéria e Jussara)

Entre as coisas que me chamaram a atenção, em ordem mais ou menos cronológica:

1 - Stand da Miolo: 
O RAR Collezione Pinot Noir 2008, que não se encontra no mercado baiano parece ter sido o carro chefe do stand. Também foram expostos para degustação os vinhos de Tempranillo, Tannat e Pinot Noir da linha Reserva (antiga Fortaleza do Seival). A linha Almadén foi representada pelo Chardonnay, que ainda não consegui achar à venda em Salvador, um vinho que para quem está começando e ainda não quer gastar, vale a pena.

2 - Stand da Vinea:
Aqui não me detive muito. O destaque foi o tão falado Casa Marin Pinot Noir. Realmente, ele é tudo o que dizem! Aroma delicioso, um certo dulçor na boca equilibrando a acidez.

3 - Barrinhas:
O grande destaque foi a simpatia do Claudio Vella, que além de conversar muito comigo em frente ao stand da Vinea, fez questão de me trazer uma taça do Alvarinho Deu La Deu, o outro destaque da Barrinhas. Uma ótima pessoa e um excelente vinho!

4 - Giava Perini:
Não conhecia essa importadora. Trouxeram os produtos da chilena Camino Real, do Vale de Cachapoal. Segundo o diretor comercial, o Giuliano Perini, a linha disponível lá visa uma faixa de mercado de vinhos tipo Casillero, e de fato, gostei mais do que os da Concha y Toro. Vamos ver o preço. Boa tipicidade, tanto o Merlot quanto o Cabernet Sauvignon Gran  Reserva.

5 - Compagnie Vins de France/Petit Château:
O interessante daqui foram os vinhos de Cahors, no sudoeste da França. Para quem não conhece, é o Malbec original, francês. Já era curioso por eles, e agora que gostei, preciso provar mais! Fora isso, a conversa com o Manu Brandão da Petit Château foi ótima. Um cara realmente apaixonado por vinhos.

6 -  Visconte:
Com a proposta de trazer "o melhor vinho possível ao menor preço possível", a Visconte expôs vinhos honestos, que se cumprirem os preços ditos, vão ser ótimos custo x benefício. Destaque para os vinhos espanhóis da Bodega Fernando Castro, de Valdepeñas, além da simpatia e desenvoltura do Aldrick Muggler ao nos apresentar os produtos.

7 - Rio Sol:
Talvez a aposta do Vale do São Francisco sejam as castas portuguesas! Tive a oportunidade de experimentar o Alicante Bouschet e o Touriga Nacional, e foram absolutamente os melhores vinhos desta região que já provei.


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Curso de Marketing de Vinhos da ABS-SP em Salvador

A CataEventos traz para a sua primeira edição em Salvador o Curso de Marketing de Vinhos da ABS-SP, ministrado pelo publicitário Túlio Rodrigues e pelo presidente da ABS-Campinas, Bruno Vianna.

É uma boa pedida para os profissionais da área de vinhos e bebidas em todo o estado que queiram adquirir noções mais específicas de marketing no ramo em que atuam. Se especializar nunca é demais.

Eu vou fazer, com certeza!

Seguem abaixo informações sobre as datas, horário, conteúdo programático, e contatos para inscrição:

Datas: 
17, 18 e 19 de setembro e 15, 16 e 17 de outubro de 2010

Horários:
Sexta-feira: 18:00 às 22:00hs
Sabado: 08 às 12:00hs e das 14:00 às 18:00hs
Domingo: 08 às 12:00hs

Local: Unijorge

Contatos: sac@cataeventos.com.br - (71)8218-2372/(71)8105-3749

Conteúdo programático:
Introdução ao MKT de Vinhos/Dicionário de MKT
- Gestão Estratégica
- Mix de MKT / MKT de Serviços
- Planejamento de Marketing / Pesquisa e dados de Mercado
- Uma Abordagem Prática para o MKT de Vinhos
- Ambiente Nac/Internac de Vinhos
- Os Consumidores / Perfis de Consumidores
- Estudos de Caso
- Conflitos de Gerações / Promoção do Vinho
- Enoturismo e Vendas Diretas / Eventos de Vinhos
- Estudos de Caso
- Intermediários, Varejo e On-trade
- Apresentação dos Trabalhos de Conclusão de Curso

City Tasting Vini Portugal: Eu fui!

Ontem eu tive o prazer de participar do City Tasting Brasil - Salvador, evento promovido pela Vini Portugal para promover o vinho português em terras além-mar. A palestra e degustação aconteceram no restaurante 496 Grill & Bar, na avenida Contorno, com belíssima vista para a baía de Todos os Santos.

Para realizar a árdua tarefa de degustar 13 exemplares de vinhos portugueses e um jantar harmonizado com 4 deles, estive na companhia de duas colegas sommelières, a Alcione Brandão e a Carol Pitta, que concluíram comigo o curso da ABS-SP.

O evento contou com uma palestra do enólogo duriense Cristiano Van Zeller, que nos deu um panorama breve mas bem elucidativo sobre a produção de vinhos em Portugal, suas principais regiões, uvas, e estilos de vinho.

Segue abaixo uma relação dos vinhos degustados com breve descrição das características mais notáveis. A nota de degustação completa de todos eu publicarei aos poucos, uma vez que foram muitos vinhos e preciso organizar melhor as minhas impressões:

Corte de Gouveio, Roupeiro e Rabigato. Jovem, fresco e leve, com aroma predominantemente cítrico, e algo floral. Bela acidez, um vinho para dias de sol.

Meu velho conhecido. Corte de Antão Vaz, Arinto e Roupeiro. Intenso, fruta bem integrada a traços claros de estágio em barricas. Macio, corpo médio, acidez mais moderada. Nota anterior aqui.

Corte de Chardonnay, Sauvignon Blanc, Alvarinho e Arinto. Exuberante, com muito maracujá e herbáceo. A Sauvignon Blanc domina aqui. Equilibrado em boca, com acidez possivelmente moderada pelo estágio em barricas e maloláctica da Chardonnay.

Um dos preferidos da noite. Corte de Alicante Bouschet, Syrah e Touriga Nacional. Suculento, com taninos de ótima qualidade. Aromas a chocolate, ameixa. Grande persistência.

Vinho de Cristiano Van Zeller. Corpo médio-potente, equilibrado, aromas começam predominantemente frutados (geléia de frutas vermelhas), e depois abrem para café e bala toffee.

Grande vinho de António Saramago. Ainda potente, mas já amaciado pelo tempo, com grande persistência. Intenso, com fruta mais cozida, compota, seca. Abre caramelo e doce de tamarindo.

Corte de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Syrah. Encorpado, macio, álcool bem perceptível. Aromas a fruta escura e floral. Grande persistência.

Vinho de vinhas velhas. Corte de Touriga Nacional e Franca, Tintas Roriz, Amarela, Tinto Cão, entre outras. Fruta vermelha bem integrada a notas tostadas, aromas a couro. Interessante.

Vinhos do Jantar:
Espumante rosé monovarietal de Baga. Intensidade aromática média, com aromas a fruta vermelha e goiaba. Boa acidez. Perlage de bolhas muito grandes e rápidas. Acompanhou tanto o canapé de tartare de salmão com endro quanto a salada de folhas verdes com tomates cereja, camarões e azeite de ervas. Casamento agradável.

Corte de Rabigato, Verdelho, Viosinho e Arinto.  Intenso, com aromas de frutas como abacaxi bem integrados ao carvalho muito evidente, e algo mineral. Encorpado, potente, com ótima persistência. Acompanhou posta de bacalhau com batatas, cogumelo shitake, alcaparras e pimentão vermelho, regados com azeite. É o tipo de vinho que segura bem bacalhau.

Vinho com aromas predominantes de fruta (tanto vermelha quanto escura), e um leve defumado. Fundo de taça lembrando caramelo ou doce de leite. Destaca-se pela ótima acidez que casou perfeitamente com spaghetti preparado com molho bem ácido de tomate, manjericão e berinjela.
Elaborado com 4 castas não reveladas na ficha técnica. Ameixa em calda, café, couro e especiaria. Persistência muito longa, vinho superlativo, de bela estrutura, com taninos, álcool e acidez altos. Aguenta guarda. Casou com costeletas de cordeiro ao molho de cogumelos, acompanhadas de geléia de menta e brócolis ao alho.

Feito com Moscatel, Arinto, Malvásia e Boais. Dulcíssimo, intenso, de grande persistência. Frutas secas, açúcar mascavo, casca de laranja, doce de banana, e notas oxidativas. Fechou a noite casando com trio de torta de maçã, sorvete de creme com farofa de castanhas e mousse de chocolate. O mousse, embora delicioso, ficou fora de contexto.

Excelentes vinhos, companhias, conversas e comida! O evento, além de ser uma celebração memorável ao hedonismo, foi um belo passeio pela produção de vinhos em Portugal.

Meus agradecimentos à Anna Carolina pelo convite e pela atenção no evento; ao enólogo Cristiano Van Zeller pela excelente palestra e degustação guiada; e à Alcione e Carol, pela agradável companhia!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Degustação de Vinhos Portugueses - Encerramento do Curso da ABS

Ontem à noite (16/06) tive a oportunidade de participar de um evento muito especial, uma degustação de vinhos portugueses na Escola de Vinhos da Miolo, dirigida pelo Sommelier português José Carlos Santanita, que foi eleito melhor profissional da área em Portugal, em 2009.

A ocasião foi especial pois o evento coroou a formatura da minha turma do curso profissional de sommelier da ABS-SP, uma certificação pela qual eu dediquei um bom tempo de minha vida no ano passado, e que na verdade significa apenas um começo. Mas um bom começo!

Segue abaixo breve resenha dos vinhos degustados, com link para as notas completas:

O primeiro vinho da noite foi um vinho verde, o Aveleda Follies Alvarinho Loureiro 2009. Fresco, com aquela acidez marcante que se espera de um vinho verde, muito, muito fragrante, com maça verde e floral. Delicioso. O único defeito é não ser importado para o Brasil.

Depois, degustamos um espumante, o Quinta da Romeira Espumante Bruto 2005. Impressionou pela força, com grande persistência e estrutura, e aromas de abacaxi em calda mesclado a tostados, como castanha de caju.

O último branco da noite, e meu preferido, foi o Morgado de Sta Catherina 2008. Muita estrutura, untuosidade na boca, potente, mas ao mesmo tempo elegante. Grande gama de aromas, com frutas e flores brancas, muito mineral, tostados bem integrados ao conjunto. Persistência passa de 10 segundos.

Depois disso provamos três vinhos tintos, todos elaborados por Antonio Saramago na região de Palmela, na Península de Setúbal, com a uva Castelão.

O primeiro foi o Risco 2008, um vinho básico, de dia-a-dia, mas muito bom. Fresco, com ótima acidez (muito gastronômico), corpo leve, aromas predominantemente a frutas vermelhas (framboesa), com algum defumado bem integrado.


Em seguida degustamos o Antonio Saramago Reserva 2005, um vinho já mais estruturado, com bom corpo, elegante, com aromas a frutas vermelhas e especiarias, integrados a aromas tostados. Persistência ótima.

Para fechar a noite, tivemos uma aula de decantação, com o Antonio Saramago Escolha 2003, que na verdade é o mesmo vinho que o 2005 degustado antes, com outro nome. Se encontra mais evoluído, com reflexos castanhos, fruta em compota, muita especiaria, tostados. Muito complexo, elegante, com persistência passando dos 15 segundos. Na boca, mostra o quanto faz bem o tempo a alguns vinhos, equilibrio e taninos muito sedosos. Impressionante. Sensação de que não consegui perceber a metade do que o vinho tinha.

Foi uma noite inesquecível. Não apenas por finalmente tirar a certificação que eu tanto queria de sommelier, mas muito por ter dividido com meus colegas, também agora sommeliers, grandes vinhos e um ótimo momento. Afinal, o grande barato do vinho está aí, nas pessoas com as quais você o compartilha!

Termino este post dedicando-o aos meus colegas e professores de curso. Um grande abraço e sucesso para todos nós, novos sommeliers de Salvador!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

28/04/10 - Jantar enogastronômico no Zen com vinhos da Ana Import

Mais um jantar com tempero thai no espaço de pouco mais de uma semana! Desta vez foi no restaurante de comida asiática - ênfase thai - Zen, em uma proposta de harmonização com alguns vinhos do portifólio da Ana Import. O Sommelier responsável por harmonizar o jantar foi o Marcelo Bastos, da importadora.

Fui a este evento acompanhado de minha namorada, que como minha mãe, adora um bom vinho mas não é afeita a detalhes técnicos. Agradeço pela compreensão e paciência dela, enquanto eu anotava os vinhos e pratos no meu bloquinho.

Fomos recebidos com um espumante francês, o Cavalier Rosé, já conhecido meu de outro jantar harmonizado da Ana Import, e postado aqui no blog. Para conferir a resenha deste outro jantar, acesse aqui. O espumante além de ser um brinde de boas vindas, acompanhou a entrada, uma sopa de abóbora com leite de coco, cogumelos (shitake laminado, creio eu) e camarão, salpicados com coentro.

O espumante, embora muito simples e com espuma pouco persistente, tinha uma certa sensação de dulçor leve na boca, que casou bem com a sopa, também adocicada pela abóbora. A sopa se mostrou bem cremosa, aromática e saborosa, só não sei se eu serviria ela como entrada, pois se mostrou muito encorpada. É uma daquelas sopas boas para tomar como refeição mesmo, em um dia frio e chuvoso. Bem comfort food. Gostei muito!

O primeiro prato foi curioso. Um filé de badejo com alho torrado, curry de maracujá, acompanhado de risotto de cogumelos. Bem parecido com o filé de robalo que comi no evento do bistrot du vin, e igualmente bem executado. Aqui a escolha de harmonização foi pelo William Cole Columbine Chardonnay 2009, cuja untuosidade foi fundamental para escoltar o arroz, bem cremoso.

O segundo prato foi composto por costeletas de cordeiro acompanhadas de purê de mandioquinha, geléia de pimenta e chips de alho poró. A carne estava no ponto ideal, suculenta e saborosa, o purê estava ótimo, cremoso e com uma boa quantidade de alho (que adoro), e o grande diferencial foram os chips de alho poró, dando crocância e sabor ao conjunto.

O vinho escolhido para acompanhar foi o Landélia Cabernet Sauvignon 2008. Achei uma opção interessante, mas o vinho ainda está muito jovem e com muitas arestas, de forma que eu escolheria um prato ainda mais suculento e gorduroso, para ajudar a atenuar os taninos e a acidez. Mas a harmonização ainda assim foi boa em certo nível, e conseguiu mostrar bem como o vinho pode ser daqui a uns dois anos.

Para fechar o evento, foi servido um delicioso pudim de ricota, com calda de goiaba. Cremoso, calda no ponto certo, sem interferir demais na delicadeza do pudim, equilibradíssimo. A harmonização conseguiu também se equilibrar no ponto certo de açúcar entre a sobremesa e o vinho, o passito Viticoltori Arquatesi Colli Piacentini DOC Arquatum 2004.

Foi um evento muito agradável, onde com certeza o restaurante Zen conseguiu mostrar a qualidade de sua cozinha, e a Ana Import por sua vez, apresentar alguns itens muito interessantes do seu portifólio, que certamente deve ser considerado um orgulho para os enófilos da Bahia.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

21/04/10 - Jantar enogastronômico com influências Thai

Aconteceu na última quarta-feira (21/04), no Bistrot du Vin, aqui em Salvador. Trata-se de uma proposta de jantares enogastronômicos mensais promovidos no restaurante (que fica no andar superior da Grand Cru), cuja temática muda a cada vez.

Neste jantar a proposta foi oferecer um menu com uma sugestão, um leve sotaque da cozinha Thai, com elementos agridoces, e picantes. A tarefa ficou por conta do chef residente, Vinícius Figueira, que com apenas 23 anos mostra claramente a que veio.

A harmonização de vinhos desta vez ficou por conta de um sommelier convidado, José Carlos Santanita, eleito melhor sommelier de Portugal no ano passado. Certamente um profissional de muito conhecimento, e sobretudo, grande perspicácia na escolha das harmonizações, além da ousadia, afinal harmonizar um menu de influência tailandesa não é fácil, e a tendência é meter os pés pelas mãos ou cair no lugar comum.

Compareci a este jantar acompanhado de minha mãe, também apreciadora de vinhos, mas não afeita aos detalhes técnicos. Prefere apenas apreciar um bom vinho - e talvez certa esteja ela - sem se deter em análises.

Ao chegar, fomos recebidos com um mix de castanhas e nozes, e um espumante básico francês, o Grandial. O espumante era até corretinho, mas por não estar na programação oficial do jantar, preferi não descrevê-lo.

O Welcome drink oficial não podia ser mais estimulante. Um bolinho de salmão empanado na farinha de arroz, com molho de pimenta e mel, e salpicado com pimenta rosa. Crocante por fora, muito macio por dentro, sequinho, saborosíssimo. A escolha do sommelier Santanita aqui foi pelo Crèmant de Bourgogne Rosé Brut Guy & Amiot.

Ótimo equilibrio, bom volume na boca, cremoso, muita fruta vermelha. Uma ponta de dulçor levíssima segurou o mel, a acidez arrefeceu a pimenta, e o caráter frutado combinou com o sabor e aroma da pimenta também. Ótima harmonização.

A entrada foi um consomé de lagosta com coco, servido com blini de tapioca crocante (na verdade, uma espécie de beiju mesmo). Muito aromático, ótimo contraste entre a textura aveludada do consomé e a crocância dos pedacinhos de coco e principalmente da tapioca. Para completar, pedaços generosos de lagosta, e um sabor levemente picante.

Aqui a harmonizção foi pensada através da textura cremosa do consomé aliada à untuosidade do Lorca Poético Viognier 2008 escolhido. Pode não ter sido a escolha mais sinérgica, mas a harmonização funcionou, e ganha pontos por fugir ao lugar comum. Ademais, como o prato não pedia tanta acidez, a falta de acidez do Viognier não atrapalhou.

O primeiro prato foi um Robalo grelhado com risotto de shitake e cebolinha, servido com curry de maracujá e pimenta. O peixe estava grelhado no ponto perfeito, e o risotto era extremamente leve. O chef Vinícius me explicou ao final do jantar que o segredo era usar o arroz tailandês ao invés de carnaroli ou arbóreo, e finalizar com leite de coco ao invés das quantidades épicas de queijo e manteiga às quais estamos acostumados. O resultado não poderia ter sido melhor!

Na parte enogastronômica, creio que este foi o momento de genialidade do jantar. Foram propostos dois vinhos, para fazer uma brincadeira e descobrir qual harmonizava melhor. O primeiro, um delicioso Riesling alemão seco, o Fritz Haag Trocken 2007, que foi o meu favorito da noite. O segundo, um Guy Amiot Bourgogne Pinot Noir 2007, um Pinot da borgonha também muito agradável e equilibrado.

O pulo do gato aqui foi o seguinte: Nenhuma das harmonizações era desagradável ao conjunto completo, deixando à escolha de quem preferisse tinto ou branco, e o grande segredo é que o Riesling bebido após um pedaço de peixe, ficava perfeito. E o Pinot Noir, por sua vez, casava irretocavelmente com o risotto de shitake. Uma experiência que eu nunca tinha pensado, essa de harmonizar cada parte de um prato com um vinho.

Como segundo prato a escolha foi um filé mignon de cordeiro com mouseline de mandioquinha e capim santo, servido com geléia de pimenta. O filé mignon estava razoável - confesso que é o corte que menos aprecio de cordeiro - embora não houvesse uniformidade no ponto dos dois pedaços que me foram servidos (um sangrando e outro bem passado). A mouseline com capim santo estava insossa. No geral, palatável, mas poderia ter passado bem sem eles.

A escolha de harmonização desta vez também não achei a melhor. Foi um Lorca Gran Poético Petit Verdot 2006. Vinho potente, encorpado, intenso, tânico, ácido, álcoolico e persistente. Enfim, um vinho superlativo, que se equilibra no excesso. A mouseline, coitada, delicada que era, saiu da jogada logo no pontapé inicial. O cordeiro, por mais suculento que fosse o pedaço mal passado, não tinha gordura suficiente para segurar a acidez e os taninos. O vinho literalmente atropelou o prato, que não conseguiu nem anotar a placa.

Mas tudo bem. Na altura do campeonato, o jantar estava em saldo totalmente positivo. Esta etapa foi uma experiência mediana, que acabou diminuída pela qualidade dos demais pratos e harmonizações.

Para fechar com chave de ouro o jantar, foi servido um cheesecake de lichia com pimenta. Sou suspeito para falar, pois amo lichia com todas as forças. E a sobremesa correspondeu às expectativas. Um cheesecake bem cremoso com delicados aromas e sabores de laranja e limão, cobertos por uma fina camada de lichia com pimenta. Dos deuses.

A combinação aqui foi o Porto Lágrima Branco Adriano Ramos Pinto, um vinho dulcíssimo, de untuosidade quase melada, ótima intensidade aromática e persistência absurdamente longa para o que estou acostumado em um vinho. Delicioso, e sua textura untuosa e aromas frutados certamente casaram muito bem com os aromas frutados e cremosidade da sobremesa.

O preço da brincadeira? Bem, barato não foi. Custou 95 reais por pessoa. Mas quer saber? Para a qualidade da comida oferecida e dos vinhos (dêem uma olhada nos preços deles) o jantar definitivamente não foi caro. Além disso, o atendimento foi impecável e a equipe de salão não deixou nada faltar. As taças sempre cheias de vinho e água, garçons atentos e solícitos e de quebra, um ambiente que favorece aquela preguiça de quem quer apenas sentar e ser bem servido.

Quer um conselho? Se você tem essa grana para gastar de vez em quando, deixe de ser pão duro, e gaste sem medo! Vale a pena demais poder se sentar em um lugar agradável à meia luz e simplesmente se permitir ser mimado com boa comida e bons vinhos. Sem ter de escolher nada, sem precisar pedir, sem ter de pensar demais. Simplesmente se deixar levar pela experiência e aproveitar.


quinta-feira, 22 de abril de 2010

20/04/10 - Jantar no restaurante Couvert com vinhos da Ana Import

Na última terça feira (20/04), tive a oportunidade de participar do jantar de inauguração da carta de vinhos do restaurante Couvert, elaborada pela Ana Import, atendendo a um gentil convite do sommelier da loja da importadora no Iguatemi, o Roberto Silvany.

O restaurante Couvert do Salvador Shopping faz parte da franquia nordestina homônima de restaurantes, que tem a proposta de oferecer comida com padrão de qualidade diferenciado para o contexto de um shopping center a preços acessíveis.

Fica situado em um espaço privilegiado na praça de alimentação do Salvador Shopping, dispondo de um salão próprio, o que por si só é um ponto muito positivo que gera uma ilha de tranquilidade para fazer uma refeição, em meio ao tumulto do maior shopping da cidade.

Ao chegar, fui recebido pela simpática proprietária, Maria Emília, que se mostrou muito atenciosa com os convidados durante toda a noite.

Logo que fui acomodado em minha mesa, me serviram uma taça do primeiro espumante, o francês Cavalier brut rosé, que acompanhou o Couvert e a entrada, uma salada de folhas verdes, com tomates assados, rosbife e mozzarella de búfala ao molho de mostarda dijon. O espumante fresco e ligeiro casou bem com a leveza do prato e a acidez do molho.

Em seguida foi servido um Salmão ao molho de maracujá, laranja e uva itália, acompanhado por um arroz com castanhas. A opção de harmonização não podia ter sido mais acertada: Um William Cole Mirador Selection Sauvignon Blanc, vinho com ótimo frescor e acidez, e aromas muito fragrantes, lembrando maracujá, o que casou perfeitamente com o prato.

O segundo prato foi o carro chefe do restaurante, um filé mignon ao molho de 4 queijos acompanhado por fettuccine al pesto. O vinho escolhido para este prato foi o Andéol Salavert Côtes du Rhône, um corte de Syrah e Grenache cuja alta acidez - que o torna um vinho gastronômico - e os taninos médios se equilibram com o molho que escolta a carne. Uma escolha adequada, pois equilibra o prato sem passar por cima dele.


Para fechar a noite, foram servidas duas sobremesas. A primeira, um creme frio de morangos com hortelã, peachtree e especiarias, dentre as quais distingui anis. O vinho escolhido foi o Tuniche Late Harvest, cuja acidez e teor de açúcar foram adequados à sobremesa, além de agregarem notas de especiaria que combinaram com o anis presente no creme.

A outra sobremesa foi um doce à base de nozes, castanhas, amêndoas, biscoito e uma fina camada de chocolate, com textura lembrando um torrone. A sobremesa era complementada por uma bola de sorvete de creme, dando o contraponto de temperatura e textura entre crocância e cremosidade. Para acompanhar a sobremesa houve a opção de degustar um licor de café, que achei mais adequado ao prato do que o vinho de colheita tardia.

Para quem tiver interesse em experimentar estes ou outros pratos do Restaurante Couvert, harmonizados com os vinhos da Ana Import, ele fica localizado no último piso do Salvador Shopping, na praça de alimentação, loja 3036.


quarta-feira, 24 de março de 2010

17/03/10 - Jantar Enogastronômico Adriano Ramos Pinto

Para um apreciador de vinhos, melhor do que a oportunidade de degustar uma quantidade razoável de rótulos de boa qualidade, só mesmo a chance de prová-los em um jantar enogastronômico, e conferir como eles se saem escoltando os mais diversos pratos.

Este jantar foi promovido pela Casa de Vinhos, de Salvador, para divulgar as novas safras de uma de suas linhas de produtos de importação própria: Os vinhos da Adriano Ramos Pinto. Realizado no restaurante da loja da Grand Cru, o evento buscou prestigiar ingredientes e receitas clássicas da culinária portuguesa em uma releitura realizada pelo Chef Vinicius Figueira. A harmonização ficou por conta do Sommelier Marcelo Santos.

Pois assim, com o intuito de conhecer novos rótulos de terras lusitanas - sobretudo do Douro, região que ainda não conheço tanto - e também de me mimar um pouco com boa comida e bebida, é claro, fui a este evento, acompanhado de minha grande amiga, a produtora cultural Valéria Silveira.

Segue abaixo o menu e os vinhos degustados, com breves comentários sobre a harmonização. As notas de degustação de cada vinho estão linkadas, é só clicar no nome:

Primeira Entrada:
Couvert de pães artesanais e caldo verde, acompanhados pelo Adriano Ramos Pinto Porto Dry White. Se não a mais exuberante, talvez a harmonização mais bem sucedida da noite.

O caldo verde bem salgado fez um contraste interessante, tendo nota também os contrastes de temperatura (caldo quente, vinho frio) e por fim a acidez do vinho ajudou com a gordura do paio, no caldo verde. A maciez do vinho também combinou com a textura aveludada do caldo.

A velha e boa cestinha de pães também foi ótima pedida, acompanhada por um azeite com ervas.

Segunda Entrada:
O bolinho de bacalhau com azeite de salsa, harmonizado com o Duas Quintas Branco 2008, talvez tenha sido a única bola REALMENTE fora da noite. Para começar, isoladamente o bolinho não estava tão bom. Muito gorduroso, podia ser mais sequinho. O azeite de salsa estava insosso, talvez por ter sido usado mais a título de decoração do que com o propósito de agregar sabor/aroma.

Na harmonização, o bolinho - feito de bacalhau que é um peixe gorduroso, e com mais gordura ainda agregada pela fritura - massacrou o vinho branco, de corpo leve e persistência ligeira. Precisava de um vinho mais untuoso.

Primeiro Prato:
Aqui está a estrela da noite! Senão na harmonização, pelo menos o prato isoladamente foi! Um bacalhau grelhado, acompnhado de confit de alho, tomate cereja, ovos de codorna e manjericão, servido com mini-batata sauté e chips de alho poró. O vinho escolhido para acompanhar foi o Duas Quintas Tinto 2006, um ótimo tinto, cuja nota de degustação vale a pena conferir.

O bacalhau estava além de qualquer comentário que eu faça aqui. Uma pedaço alto bem dourado, com sal equilibrado, levemente crocante por fora e macio por dentro. O confit mostrou uma perfeita releitura da velha e boa bacalhoada com tudo o que tem direito: Tomate, alho, cebolas, ovos e batatas. Só que em miniatura, e com sabor deliciosamente potencializado pela "confitação" (será um neologismo?). Os chips de alho poró completaram a festa agregando crocância e mais um sabor à festa.

No quesito harmonização, a despeito da qualidade do vinho, a tentativa terminou no zero a zero. Sou suspeito neste caso, e nenhum pouco português: Bacalhau é peixe, peixe branco, e se harmoniza com vinho branco. No caso, eu escolheria um branco bem estruturado.

Por outro lado, o bacalhau não atrapalhou o vinho com aquele sabor metálico característico da mistura peixe x tinto. Os dois se acompanharam, mas simplesmente não houve nenhuma sinergia. Nenhum dos dois melhorou o outro.

Segundo Prato:
Aqui residia a minha grande expectativa da noite, o arroz de pato com pancetta grelhada e cebola torrada! Harmonizado com o Ramos Pinto Collection 2006, que me pareceu um queridinho entre os rótulos de vinhos tranquilos da Adriano Ramos Pinto, e mostra um perfil pra lá de exuberante.

O arroz de pato estava bem feito, al dente, mas um detalhe, um pequeno detalhe, conseguiu matar o prato: A pancetta. Servida em quantidade maior do que devia e cortada em cubos demasiadamente grandes, ela conseguiu fazer um arroz de pato soar como o mais delicado dos pratos, e sumir no meio de tanto sal e gordura. A solução foi comer o arroz e a pancetta separadamente, uma garfada para cada uma.

O quesito harmonização por sua vez foi bem sucedido: O prato, mais pesado, pedia um vinho mais potente, e o Collection foi uma escolha mais do que adequada para segurar a gordura deste arroz de pato com pancetta.

Sobremesa:
Para fechar o jantar, Leite crème brûlée com pastéis de nata, escoltados pelo Adriano Ramos Pinto Porto 10 anos, um tawny notável.

O vinho aqui detonou o crème brûlée, mas foi bem com o pastel de nata. Ao crème brûlée faltou uma crosta caramelizada mais consistente, para fazer frente ao vinho, pois o resultado final ficou muito delicado. Também preferiria se tivessem usado raspas de laranja e não limão, no creme. Já os pasteis de nata, embora tenham combinado com o vinho, apresentaram o problema: A crosta estava mole, quebrando o contraste que deveria haver entre uma crosta crocante e o centro cremoso.

Considerações finais...
No final das contas, a despeito de todos os erros e acertos nos pratos e harmonizações, foi um evento que valeu muito a pena. É sempre interessante conhecer de forma mais intensa o trabalho de uma só vinícola, e até mesmo as discordâncias em termos de opções culinárias e enogastronômicas são muito frutíferas. No final tive a oportunidade de conversar tanto com o chef Vinícius e com o Sommelier Marcelo: Ambos muito atenciosos e abertos ao diálogo.

Nestas horas vemos que a harmonização entre vinhos e comida segue vários caminhos, todos com suas justificativas baseadas em algum cânone - seja científico, gastronômico ou cultural, como o bacalhau com vinho tinto - mas que a única forma de testar o sucesso destas experiências é a vivência, ou seja comer e beber!