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terça-feira, 2 de setembro de 2014

#CBE Monte del Frá Valpolicella Ripasso 2009


No último mês tive a agradável surpresa de ser indicado a escolher o tema de agosto da Confraria Brasileira de Enoblogs, o que é também uma grande responsabilidade: selecionar algo que instigue os confrades e confreiras. 

E como a Itália é uma terra em que, entre os comuns, o Chianti é rei, decidi dar espaço ao tão injustiçado Valpolicella e suas diversas manifestações. 

Eu mesmo escolhi um Ripasso, versão "bombada" do Valpolicella mais simples, que é acrescida de bagaços de uva utilizados na produção do Amarone e do Recioto para uma refermentação. O resultado é um bocado de comida a mais para as leveduras, o que resulta em mais álcool, taninos e polifenóis que conferem maior complexidade ao vinho. Claro, isso é um resumão da coisa.

O rótulo escolhido por mim foi o Monte del Frá Valpolicella Ripasso 2009, produzido pela Tenuta Lena di Mezzo e importado pela Domno do Brasil. O vinho é elaborado com as castas tradicionais do Valpolicella (Corvina e Corvinone 80% e Rondinella 20%) e passa por 18 em barricas de carvalho francês.

O resultado...?

Vejamos:
Visual: Vermelho rubi intenso.

Olfativo: Intenso no nariz. Senti aromas de frutas vermelhas em geleia e algo de couro.

Gustativo: Potente, com muita percepção de álcool e açúcar residual, como era de se esperar. Taninos bem perceptíveis. Achei que a acidez ficou discreta, podia ser maior para contrabalancear. Persistente e com uma nota de pimenta do reino no retro-olfato. 

Opinião: Não sou lá um grande conhecedor dos Valpolicella, ainda mais dos Ripasso. Mas senti falta daquela cereja azeda que sempre percebi nestes vinhos, bem como um toque meio cozido, lembrando vinho do porto. Enfim, acabou sendo diferente do que eu esperava e, embora R$ 65 esteja barato para um Ripasso della Valpolicella, creio que vale mais a pena gastar o mesmo por um bom Valpolicella clássico ou investir um pouco mais, caso queira partir para os Ripasso. Não compraria de novo.

Em tempo, não quis repetir figurinha, mas volta e meia bebo este Ripasso da Zonin, que já postei aqui no blog há muito tempo. Esse sim vale bem a pena! Segue o link.

Monte del Frá Valpolicella Ripasso 2009
Região: 
Valpolicella Superiore DOC (Veneto) - Itália
Produtor: Tenuta Lena di Mezzo
Importador: Domno do Brasil
Teor alcoólico: 
14%
Casta(s): 
80% Corvina/Corvinone - 20% Rondinella)
Preço: 
R$ 65,00


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Quinta do Seival Castas Portuguesas 2011



Eu sou completamente suspeito - e assumo - pra falar deste vinho. Por que? Simplesmente porque o acho um dos tintos nacionais mais empolgantes do mercado dos grandes produtores. Muito mais interessante do que certos medalhões que custam o dobro do preço. 

Elaborado na Campanha Gaúcha, no município de Candiota-RS, o Castas Portuguesas leva uma combinação de duas clássicas uvas lusitanas: a Touriga Nacional e a Tinta Roriz (Tempranillo na Espanha). Passa por estágio de 12 meses em barricas novas de carvalho francês.

Visual: Vermelho violáceo muito intenso, mostrando sua juventude.

Olfativo: Muita intensidade aromática, com caráter extremamente frutado de ameixas em calda e framboesas. Algo levemente tostado, lembrando cacau e caramelo. Fechando o conjunto, uma nota floral típica da Touriga Nacional.

Gustativo: Corpo médio, com acidez bem acentuada, álcool quente e taninos médios, com alguma adstringência, mostrando que ainda se trata de um vinho jovem. Retro-olfato confirma o nariz. Bem seco e com certo amargor no fim de boca. Persistência em cerca de 8s. 

Opinião: Falta afinar na boca, evoluir e deve virar um vinho excelente. Mas já pelo nariz é empolgante! Confesso que gostava bastante do corte antigo, no qual usavam a Alfrocheiro Preto, mas continua um vinho interessante, mostrando que nem só de Cabernet Sauvignon e Merlot vive o tinto brasileiro! 

Quinta do Seival Castas Portuguesas 2011
Região: Campanha Gaúcha (Candiota-RS) - Brasil
Produtor: Miolo Wine Group
Importador: -
Teor alcoólico: 13,5%
Casta(s): Touriga Nacional - Tinta Roriz
Preço: R$ 65,00 (Makro - Salvador)

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Grochau Cellars "Tinto" 2010



Este vinho ganhei de presente de um casal de amigos que estão morando na gringa, o Leo e a Vivi, por ocasião de uma visita deles à terrinha. O que achei bacana nele é que foge ao clichê do que temos disponível em vinhos estadunidenses aqui no Brasil: os californianos.

Pois bem, trata-se de um exemplar oriundo do Oregon, estado que tal como a Califórnia fica na Costa Oeste dos EUA, porém, mais ao norte. A produção de vinhos lá é relativamente recente e surgiu com a segunda onda de produtores estadunidenses, quando a Califórnia já era um produtor conhecido. Esta garrafa vem da região de Rogue Valley, uma das três grandes do Oregon.

É um corte de Tempranillo, Syrah e Grenache cujas proporções constavam na garrafa e esse irresponsável blogueiro infelizmente esqueceu de tomar nota. No site não há mais informações sobre o processo de vinificação.

Visual: Vermelho-violáceo intenso, mostrando juventude.

Olfativo: Aromas intensos, lembrando ameixa, frutas vermelhas em geral (mas sem exageros) e algo de especiaria, lembrando pimenta, de leve. Surgiu uma nota inusitada também - para vinhos tintos - que lembrou casca de tangerina.

Gustativo: Corpo médio, com grande acidez e taninos bem presentes, secando a boca. Não possui tanto volume de boca, mostrando uma pegada mais leve. Persistência media, com retro-olfato lembrando baunilha.

Opinião: Vinho interessante, com aromas agradáveis e uma pegada levemente rústica na boca. Pede comida para acompanhar. Foge ao padrão de vinhos excessivamente frutados e com estrutura musculosa, quase adocicados, que muitas vezes vemos nos Californianos. Excelente opção, pena que não está disponível no mercado nacional. Meus agradecimentos ao casal Robadey!

Grochau Cellars "Tinto" 2010
Região: Rogue Valley (Oregon) - Estados Unidos
Produtor: Grochau Cellars
Importador: -
Teor alcoólico: 13,5%
Casta(s): Tempranillo, Syrah, Grenache
Preço: US$ 18,00 (No site da vinícola)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Pericó Basalto 2008



Mais um exemplar - desta vez tinto - que pude provar da Vinícola Pericó. Trata-se de um corte de 60% de Cabernet Sauvignon e 40% Merlot plantadas a uma altitude de 1.300 metros na Serra Catarinense, com curto estágio em barricas de carvalho francês (não especificado).

Degustação:
Vermelho-rubi muito intenso e brilhante, já sem toques violáceos.

No nariz é intenso, e abre com um aroma forte de estrebaria que some rapidamente, dando lugar a fruta escura, café e uma nota vegetal.

Tem corpo médio/forte, com alta acidez, álcool perceptível mas sem desequilibrar. Taninos com muita adstringência e algum amargor meio verde no final, numa persistência de 8 - 9 segundos. Fruta escura predomina no retro-olfato.

Tem aromas interessantes (até a tal estrebaria), mas ainda pesa na boca em tudo: Taninos, acidez, álcool. Precisa afinar. Só não sei dizer se em termos de aromas ele envelheceria com qualidade. O amargor persiste muito, chegou a lembrar flor de lúpulo na boca (quem já comeu sabe).

Pericó Taipa Rosé 2010
Região: São Joaquim (Serra Catarinense) - Brasil
Produtor: Vinícola Pericó
Importador: -
Teor alcoólico: 13,5%
Casta(s): 60% Cabernet Sauvignon - 40% Merlot
Preço: R$ 40,00 - R$ 60,00 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Corte Alla Flora Loggiato Vino Nobile de Montepulciano DOCG 2002


Este vinho foi uma das surpresas mais agradáveis que bebi este ano! Achei ele em uma liquidação da Ana Import e, como sempre acontece com vinhos desta idade, fiquei no dilema: "arriscar em um vinho que pode estar morto ou não?". O Jason, sommelier da casa, foi muito sincero ao dar seu parecer: "cada garrafa tem sua história. Existe um risco". 

Ainda assim, os 50 reais cobrados pela garrafa (contra aproximadamente 150 de preço original) aliado à possibilidade de comprar um belo vinho já evoluído, no bom sentido, me levaram a comprar.

O vinho é da DOCG de Vino Nobile de Montepulciano (não confundir com o Montepulciano d' Abruzzo), onde os vinhos são elaborados com uma parcela predominante de Prugnolo Gentile, nome dado à Sangiovese . Este exemplar leva 90% da casta autóctone, complementados com 10% das francesas Cabernet Sauvignon e Merlot. Passa por 18 meses em barricas e mais 10 em garrafa antes de ir para o mercado.

Degustação

Vermelho rubi intenso com fortes traços atijolados e halo de evolução.

Muito intenso. Fruta vermelha ainda muito exuberante. Especiarias bem nítidas também, lembrando tanto cravo quanto pimenta do reino. Folhas de chá. Abre notas de café e caramelo depois de uma hora.

Potente, macio, ainda com grande acidez. Álcool equilibrado. Taninos bem presentes, marcando a boca, mas de boa qualidade. Perfuma muito a boca e tem persistência bem longa, passando em muito dos 10 segundos, tanto no retro-olfato quanto na percepção dos taninos.

Um grande vinho! Evoluiu muito, muito bem. Já está desenvolvido, complexo, mas ao mesmo tempo ainda tem lenha para queimar, mesmo com 10 anos. Na dúvida, recomendo beber, mas acho que dá para guardar um par de anos. Acidez alta, taninos ainda pegando. Nariz intenso, gostoso na boca. 

Corte Alla Flora Loggiato Vino Nobile de Montepulciano DOCG 2002 
Região: Vino Nobile de Montepulciano DOCG - Itália 
Produtor: Corte Alla Flora
Importador: Ana Import
Teor alcoólico: 13,5%
Casta(s): 90% Prugnolo Gentile (Sangiovese) - 10% Cabernet Sauvignon e Merlot
Preço: cerca de R$ 150,00

quinta-feira, 8 de março de 2012

Duas Quintas Reserva Tinto 2008


Tentando começar a cumprir promessa de início de ano que fiz a mim mesmo de voltar a atualizar o Notas mais frequentemente, falo hoje de um vinho que degustei nos últimos tempos. Abrimos ele, mesmo cientes do infanticídio, para comemorar a entrega da tese de doutorado de minha irmã.

Exemplar duriense produzido a partir das uvas cultivadas nas Quintas da Ervamoira e do Bons Ares, este tinto é elaborado com as castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca vinificadas separadamente. Após fermentação maloláctica passa por um estágio de 18 meses em barricas de carvalho francês novo e de um ano, e mais um ano em garrafa antes de ser liberado no mercado.

Degustação:
Vermelho-violáceo muito intenso, fechado, brilhante.

Aroma intenso, elegante. Fruta madura (geléia de amora e ameixa). Leve floral. Tostado bem integrado (que define para café). Abre nota que lembra eucalipto. Álcool ainda perceptível no olfato, mesmo após 1h de aberto. 

Potente, encorpado, macio. Boa acidez, taninos finos, de ótima qualidade. Álcool um tanto perceptível ainda, mas tranquilo para os seus 15%, sem desequilíbrios. Impressiona pela suculência (dá aquela impressão de morder uma fruta). Persistência de cerca de 15 segundos, com o retro-olfato trazendo novamente fruta (apesar de as notas tostadas serem perceptíveis, a fruta domina).

Muito novo ainda e com muito tempo pela frente. Mostra potencial e já é bem saboroso e agradável no nariz, mas ainda não demonstra grande complexidade. Está na fase da potência e fruta. Acho que resiste tranquilamente uns 8-10 anos. Penso que em uns cinco já mostrará bons ganhos em qualidade. Tudo leva a crer num grande potencial de guarda: Taninos, álcool, acidez, corpo e muita fruta.

Para quem é de notas, esta safra levou para casa 91 pontos do avaliador de Portugal do Robert Parker.

Duas Quintas Reserva Tinto 2008
Região: Douro DOC - Portugal
Produtor: Adriano Ramos Pinto
Importador: Épice
Teor alcoólico: 15%
Casta(s): 70% Touriga Nacional - 25% Touriga Franca - 5% Tinta Barroca
Preço: R$ 206,00

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Tùran Rosso Sant'Antimo DOC 2005


Ganhei este vinho de presente de natal de minha irmã no ano passado. Sem paciência para guardar mais e com um bichinho me dizendo ao pé do ouvido que estava no momento certo de beber, resolvi abrir esta garrafa outro dia. 

O ano de 2005 foi a primeira safra deste produto da Tenute Silvio Nardi, que é um corte de castas francesas e italianas, com 40% Petit Verdot, 30% Sangiovese, 20% Syrah e 10% Colorino. O vinho passou por fermentação e maceração durante 21 dias em temperaturas abaixo dos 28 graus. Estagiou por 6 meses em barricas francesas do tipo Allier e mais um tempo em garrafa não informado pelo produtor, antes de ser liberado para venda.

Duas curiosidades sobre o vinho: 
- O nome Tùran vem de uma divindade etrusca semelhante à grega Afrodite.
- A DOC de Sant'Antimo foi criada para fomentar a venda dos vinhos de Montalcino que não fossem Brunello, Rosso e Moscadello. Além de aceitar uvas estrangeiras, a DOC criada em 1996 abrange vinhos brancos. Há controle sobre o rendimento dos vinhedos e também da quantidade de vinho em relação às uvas.

Degustação:
Vermelho rubi fechado, intenso. 

Intenso, floral e uma cerejinha com um quê de licor. Especiaria (pimenta do reino). Elegante.

Seco, de bom corpo, mas já afinado. Acidez adequada, álcool pouco perceptível, bem equilibrado. Taninos já maduros, bem afinados, embora presentes. Retro-olfato confirma e deixa também uma impressão do carvalho, em uma persistência média/longa (8, 9 segundos), que também mantém os taninos, secando a boca.

Bem equilibrado na boca, com aromas muito agradáveis. O tempo fez bem a ele, já não tem mais arestas. Não sei se ganha mais complexidade com guarda além dos 6 anos. Creio que está no momento certo para consumo. Coisa boa.

Tùran Rosso Sant'Antimo DOC 2005
Região: Sant'Antimo DOC (Montalcino - Toscana) - Itália
Produtor: Tenute Silvio Nardi
Importador: Ana Import
Teor alcoólico: 13,5%
Casta(s): 40% Petit Verdot - 30% Sangiovese - 20% Syrah - 10% Colorino
Preço: 
R$ 90,00

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Château Canteloup 2007


Bordeaux genérico importado pela Ana Import, e vendido a cerca de 50-60 reais.

Não há informação alguma sobre elaboração ou composição varietal no site. Obviamente é um corte de algumas das variedades bordalesas, mas não dá para saber quais, nem o percentual de cada.

Degustação: 
Vermelho-rubi de média intensidade de cor, límpido e brilhante.

Intensidade média, com fruta seca e em compota. Lembra ameixas e figos secos. Algo terroso. Pimentão, café.

Seco, com acidez moderada. Corpo magro, ralo. Pouca estrutura de taninos. Álcool equilibrado. Persistência média, em 8-9 segundos, confirmando e trazendo alguma nota de carvalho.

Nariz até interessante. Sem graça na boca. Não repetiria.

Château Canteloup 2007
Região: Premières Côtes de Bordeaux AOC (Bordeaux) - França
Produtor:
S.C. des vignobles Latorse La Sauve Gironde
Importador:
Ana Import
Teor alcoólico:
12,5%
Casta(s):
-
Preço: R$ 50,00 - R$ 60,00

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Villa Romanu Tinto 2008


Um Vinho Regional Alentejano da linha mais básica da Herdade do Perdigão, em corte de Aragones, Trincadeira e a intrusa Cabernet Sauvignon. O vinho é fermentado em cubas de inox por cerca de 10 dias, e após a fermentação maloláctica estagia também em inox, por pelo menos 6 meses antes de ser engarrafado.

Degustação:
Vermelho rubi com reflexos violáceos, intenso, límpido e brilhante.

Intenso, com fruta bem exuberante, e uma pegada vegetal um tanto rústica. Leve defumado.

Corpo leve/médio, com grande acidez, taninos bem leves, álcool sobressaindo um pouco, mas que deve arrefecer em taça. Persistência média (7 segundos), com retro-olfato novamente com muita fruta vermelha. Leve amargor no final de boca.

Agradável, mas não é redondo. Pelo contrário, rústico, pelo excesso de acidez. Mas esta acidez, por outro lado, torna o vinho gastronômico. É um vinho simples, foi comprado por um ótimo preço (20 reais), mas pelo seu valor normal (cerca de 40 reais) dá pra achar outros exemplares melhores no Alentejo. É um bom vinho de dia-a-dia, mas penso que está fora de sua faixa correta de preço.

Villa Romanu Tinto 2008
Região: Vinho Regional Alentejano - Portugal
Produtor: Herdade do Perdigão
Importador: Ana Import
Teor alcoólico: 13,5%
Casta(s): Aragonez/Trincadeira/Cabernet Sauvignon
Preço: R$ 40,00

terça-feira, 31 de maio de 2011

Masi Tupungato Passo Doble 2006


Há algum tempo eu queria postar este vinho aqui no blog. Se trata de um corte argentino de 70% de Malbec com 30% de Corvina semi-passificada. Qualquer semelhança não é mera coincidência: A Corvina é aquela uva italiana, que dá origem ao Valpolicella, Ripasso, Recioto e Amarone, famosos vinhos italianos. Daí também a técnica de usar usar meio passificadas, e também o nome Masi, um dos maiores produtores destes vinhos.

O vinho passa por uma dupla fermentação: primeiro se fermenta a Malbec, e depois o vinho resultante é acrescido de Corvina passificada, gerando uma segunda fermentação. O vinho passa por maloláctica. Uma vez produzido, o vinho estagia por 9 meses em carvalho francês.

Degustação:
Vermelho-rubi intenso com reflexos violáceos , límpido e brilhante.

Média intensidade (sensação de que ainda vai abrir mais), com aromas a fruta vermelha, definindo para cereja, e uma especiaria bem presente (pimenta do reino).

Encorpado, com dulçor perceptível, acidez forte, refrescante, contrabalanceando um álcool potente. Taninos finos, sedosos. Persistência de mais de 10 segundos, sem tanta exuberância, mas constante, voltando à cereja + especiaria no retro-olfato.

Vinho gostoso já com 5 anos, e que pelas características (corpo+álcool+acidez) ainda há de aguentar e evoluir por alguns anos. Não me surpreenderia em ver esse cara com uns 8 anos ainda bem vivo. É um vinho muito inusitado para um sul-americano, e se você gosta de vinho, mesmo que acabe não gostando, precisa provar este pela experiência! 

Masi Tupungato Passo Doble 2006
Região: Vale de Tupungato (Mendoza) - Argentina
Produtor: Masi Agricola S.P.A
Importador: Mistral
Teor alcoólico: 14%
Casta(s): 70% Malbec - 30% Corvina

Preço:
aprox. R$ 45,00

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Pizzato Concentus 2002


Comprei este vinho sem botar muita fé, certo de que estaria morto, devido aos seus 9 anos. Trata-se de um corte de Merlot, Tannat, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, elaborado em Bento Gonçalves, no Vale dos VInhedos.

Degustação:
Vermelho-rubi intenso, com ligeiro halo granada. Lágrimas rápidas, finas e abundantes, com pouca cor.

Intensidade média, com fruta já passada, como ameixa em calda e uva passa. Toques de madeira, como café, e especiaria perceptível. Fundo de erva seca, tipo folhas de chá preto.

Seco, com acidez ainda viva, álcool perceptível, taninos também perceptíveis, com adstringência e, infelizmente, algum amargor. Persistência média (7s), com retro-olfato confirmando o nariz.

Procurei resenhas sobre este vinho, e achei algumas datadas de 2008. Elas já acusavam o declínio dele, o que me surpreendeu. Apesar de o vinho  mostrar que já evoluiu tudo o que podia, e estar claramente em declínio, ele ainda se encontra surpreendentemente vivo para os 9 anos que tem, e ainda tem algo a oferecer em termos de prazer, na minha opinião. Compre agora e beba para ontem.

Pizzato Concentus 2002
Região: Bento Gonçalves (Serra Gaúcha)
Produtor: Vinícola Pizzato
Importador: -
Teor alcoólico: 13%
Casta(s): Merlot - Tannat - Cabernet Sauvignon - Cabernet Franc

Preço:
aprox. R$ 25,00 (preço promocional)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Tamaya Reserva Merlot - Cabernet Sauvignon - Syrah 2006

 
Este é o último vinho da Tamaya que postarei por estes dias (provei o reserva Carménère também, mas acabei não tomando nota). Como o título diz, é um corte de Merlot, Cabernet Sauvignon e Syrah, em proporções que não sei dizer, pois o vinho não é mais feito (corte atual substituiu a Merlot pela Malbec, e só tem a ficha dele no site).

Degustação:
Vermelho-rubi muito intenso, quase impenetrável. Lágrimas rápidas, finas e abundantes, ainda com muita cor.

Ao abrir a garrafa os aromas se mostram discretos, com notas evidentes de geléia de frutas vermelhas, uma pimenta do reino ressaltada, e um fundo de pimentão, ou pimenta verde. Notas de café e chocolate também aparecem, denunciando o que deve ter sido um estágio considerável em carvalho. Leve mentolado intermitente. Abriu mais com o tempo em taça.

Na boca é seco, encorpado, com acidez bem viva, álcool aparentando estar quase domado (ainda aparece um tanto). Taninos finíssimos, macios. No retro-olfato são evidentes as notas tostadas e de especiarias.

Já está bom, talvez resolva melhor ainda as arestas em um ano.

Tamaya Reserva Merlot - Cabernet Sauvignon - Syrah 2006
Região: Vale de Limarí - Chile
Produtor:
Viña Casa Tamaya
Importador: 
Del Maipo Comércio e Representações
Teor alcoólico:
13,5%
Casta(s):
Merlot - Cabernet Sauvignon - Syrah
Preço:
aprox. R$ 50,00

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Perinet Priorat DOQ 2004



O susto...
Este vinho me causou um belo susto esses dias aqui em casa, e me fez abri-lo mais por necessidade do que por vontade. Comprei esta garrafa em uma promoção da Ana Import pela pechincha de 50 reais (custa 215 na importadora, a Península), e na semana passada tive aquela impressão de "vem fácil, vai fácil": A garrafa estava vazando na adega!

Por isso, resolvi abrir logo o vinho, certo de que iríamos encarar a decepção de um vinho totalmente oxidado. Cortei a capsula, e mais um susto, além de totalmente infiltrada, a rolha tinha entrado pelo menos dois dedos pelo gargalo da garrafa. Não consegui nem furar  a rolha com a espiral do saca-rolhas, ela simplesmente escorregou para dentro! 

A degustação...
Passei o conteúdo todo para um decanter, e o aroma invadiu a mesa de jantar. Parecia correto!

Não resisti e servi em uma taça: Cor vermelho-rubi com reflexos violáceos ainda bem intensos para os seis anos e meio do vinho. As lágrimas eram rápidas, finas e muito abundantes e cheias de cor, tingindo a borda da taça toda. Antes, ao passar para o decanter, pude notar que o vinho apresentava sedimentos.

No nariz, a primeira coisa que chamou a atenção foi a intensidade aromática: MUITO INTENSO (primeira vez que digo isso em caixa alta e negrito neste blog). A segunda coisa que me chamou a atenção?! Estava vivo! Nenhuma nota oxidativa!

No início, os brutais 15% de álcool atrapalharam a prova ao aproximar a taça do nariz, mas o decanter ajudou muito neste quesito, em médio prazo. Muita fruta (cereja, ameixa e figo em calda) junto a um floral bem elegante e especiaria (cravo). Também alguns aromas do estágio em madeira, como café e defumado.

Na boca era encorpado, macio, com acidez correta, mas álcool muito, muito forte. Taninos macios, e aveludado, álcool, persistência absurda, passando de 1 minuto!! E mais álcool! Retro-olfato confirmou a complexidade do nariz.

Uma pausa para dados técnicos...
Elaborado na região do Priorato (localizada na Catalunha), este vinho vem de plantas tanto jovens (com 6 a 8 anos de idade), quanto antigas (35 a 80 anos). É um blend de 45% Cariñena, 35% Garnacha, 10% Cabernet Sauvignon, 7% Merlot e 3% Syrah. Segundo a ficha técnica, a safra de 2004 foi considerada excepcional, o que eu confirmei pela tabela de safras da Mistral.

Teve colheita selecionada manual no vinhedo durante a colheita, que ocorreu entre o fim de setembro e o começo de novembro, e seleção dupla (de cachos e depois de frutos após o desengace) em mesas.

Passou por fermentação a 25 graus celsius durante 18 a 22 dias, com pigeage e maceração adequadas a cada variedade. O vinho estagiou sur lies por 15 meses em barricas de carvalho francês de 300 e 400 litros, com fermentação maloláctica. Foi clarificado com claras de ovo, e não foi filtrado (o que se evidencia pelos sedimentos).

Um parecer final...
Bem, este foi o meu primeiro Priorato, e a primeira vez a gente nunca esquece! De fato não é um vinho de dia a dia, tanto pelo preço quanto pela qualidade e estrutura. Já mostrou certa complexidade com 6 anos, e também muita força pra atravessar ainda alguns anos. 

Senti pena de tê-lo bebido tão novo, pois estava com muitas arestas para aparar, sobretudo no que diz respeito ao álcool. Mas com a rolha infiltrada do jeito que estava, não tinha jeito. E por outro lado, me senti muito grato por, mesmo no estado em que a garrafa estava, o vinho ter se mantido inteiro!

Conseguiu tornar uma sexta-feira qualquer em um dia especial!

Perinet Priorat DOQ 2004
Região:  Priorat DOQ - Espanha
Produtor:
Mas Perinet
Importador:
Península
Teor alcoólico:
15%
Casta(s):
45% Cariñena - 35% Garnacha - 10% Cabernet Sauvignon - 7% Merlot - 3% Syrah
Preço: R$ 215,00

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

#CBE Chateau Pey La Tour 2004


Último tema de 2010, ou primeiro de 2011, na Confraria Brasileira de Enoblogs!

Vou fazer um post curtinho, só com a nota de degustação, pois a conexão anda imprevisível aqui, desde um incêndio que ocorreu na companhia de telefonia e internet.

Este foi o tinto que bebemos no natal aqui em casa. Sem pretensões de harmonização (acho um porre harmonizar ceia de natal), simplesmente com o intuito de beber e confraternizar!

Elaboração
Trata-se de um Bordeaux Supérieur AOC (denominação genérica, mas com algumas exigências a mais do que a Bordeaux AOC), elaborado com predominância da Merlot, seguida de Cabernet Sauvignon, Franc e da Petit Verdot. Presumo que as proporções variem um pouco a cada ano, e não consegui achar os dados técnicos da safra 2004, infelizmente.

Degustação
Visualmente apresenta cor vermelho-rubi intensa, com leve reflexo granada começando a aparecer. Lágrimas rápidas, finas e abundantes, com alguma cor. Antes de olhar, achei que fosse mostrar mais evolução.

No nariz mostra boa intensidade aromática, com aromas a fruta, ressaltando mais as escuras, como ameixa em calda ou geléia. Também mostra aroma de especiarias, lembrando cravo, leve couro, e tostado.

Ao provar mostra corpo entre médio e forte, com boa acidez, álcool equilibrado, taninos já domados, bem macios e sedosos, e um levíssimo amargor. A persistência é até longa, nos 10 segundos, com retro-olfato bem frutado, lembrando de novo geléia de ameixa.

Creio que este vinho talvez aguente mais um ou dois anos até, mas sinceramente, acho que abri esta garrafa no momento certo. Os aromas estavam no limite entre alguma evolução e o frescor da fruta, sem pender demais para um ou outro lado, e a prova gustativa mostrou um vinho sem arestas. Além de tudo, muito gostoso e elegante!

O melhor de tudo? A Grand Cru trazia ele a uns 100 reais, e eu comprei a  cerca de 50 em uma ponta de estoque!

Chateau Pey La Tour 2004
Região: Bordeaux Supérieur AOC (França)
Produtor:  Vins e Vignobles Dourthe
Importador: Grand Cru
Teor alcoólico: 13,5%
Casta(s): Merlot - Cabernet Sauvignon - Cabernet Franc - Petit Verdot
Preço: aprox. R$ 100,00

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Catedral Dão DOC 2005


Um belo Dão DOC de bom custo benefício que estou degustando enquanto posto hoje!

Como por enquanto não tenho dados sobre sua elaboração, exceto que é um assemblage de Alfrocheiro, Tinta Roriz e Touriga Nacional, vou direto à nota de degustação.

O vinho tem cor vermelho violácea intensa, límpida e brilhante, com lágrimas rápidas, finas e abundantes, de cor também intensa.

No nariz, é intenso e tem aromas de fruta escura madura e em compota (ameixas), floral e leve tostado, bem integrado ao conjunto.

Ao provar se mostra seco, com médio corpo, boa acidez, álcool integrado e taninos médios. Persistência média (8 segundos), com retro-olfato trazendo notas de pimenta do reino e leve pimentão verde, além da fruta e notas tostadas do olfato.

Um vinho bem gostoso, daqueles para ter sempre em casa uma ou algumas garrafas!

Catedral Dão DOC 2005

Região: Dão DOC - Portugal
Produtor: Cavipor
Importador: Domno do Brasil
Teor alcoólico: 12,5%
Casta(s): Alfrocheiro - Tinta Roriz - Touriga Nacional
Preço: -

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Terre de la Custodia Montefalco Rosso DOC 2007


Mais um italiano de preço camarada que provo, e vale a pena. Este é de uma DOC que eu nunca tinha ouvido falar, e deve ser meio desconhecida mesmo. (Foi difícil achar algum registro aprofundado na internet. Nem no site que parece ser da DOC tem informações.) A única coisa que consegui constatar é que é um vinho produzido na região da Umbria, na província de Perugia.

Segundo o contrarótulo , trata-se de um corte de 60% Sangiovese, 25% Montepulciano e 15% Sagrantino. O site da vinícola não entra em detalhes sobre a proporção (que deve variar de um ano para outro), mas fala que também tem Merlot no corte.

O vinho passa por fermentação a temperatura controlada, maceração de média duração (não cita dias na ficha) com remontagem e delestage. Depois passa por 8-10 meses em barricas de carvalho (sem indicar procedência ou uso) e 6 meses em garrafa antes de ir para o mercado.

É um vinho vermelho rubi intenso, com leves reflexos violáceos. Mostra algum brilho, embora seja quase impenetrável. Lágrimas rápidas, finas e abundantes, com alguma cor.
No nariz é intenso, com aromas a fruta escura (ameixa), e algo secundário que me lembrou figo seco. Após algum tempo em taça surge um aroma tostado, lembrando café. Também abre uma especiaria.

Ao provar, é seco, de estrutura média a encorpado, com boa acidez, álcool presente mas integrado ao conjunto. Taninos bem perceptíveis em adstringência e com leve amargor, mas de boa qualidade. Persistência de 8-9 segundos, com retro-olfato confirmando a ameixa, mostrando leve cereja e as notas de especiarias, com taninos marcando a boca o tempo todo.

Vinho gostoso tanto no nariz quanto na boca, mais estruturado que os italianos que eu tenho bebido ultimamente! Pelos R$ 39,00 reais que custa, acho que vale a pena, tanto quanto o Gran Sasso Montepulciano D'Abruzzo que provei outro dia! Experimente!

Terre de la Custodia Montefalco Rosso DOC 2007
Região: Montefalco Rosso DOC (Umbria) - Itália
Produtor: Terre de la Custodia
Importador: Carballo Faro - BA
Teor alcoólico: 13%
Casta(s): 60% Sangiovese - 25% Montepulciano - 15% Sagrantino
Preço: R$ 39,00

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Lídio Carraro Dádivas Merlot Cabernet Sauvignon

 
Mais um vinho da Lídio Carraro degustado, este no jantar de lançamento da parceria entre a vinícola e a Villa Gourmet em Salvador, acompanhado por um cordeiro com risotto de cogumelos.

Novamente não disponho de dados sobre a vinificação, só sei que o vinho não passa por madeira, por se tratar de política da vinícola. Também não encontrei a proporção entre a Merlot e a Cabernet Sauvignon.
É um vinho de cor rubi intensa, com reflexos violáceos. Quase impenetrável.

No nariz, média intensidade, com aroma a fruta escura em geléia, leve herbáceo e um toque de chocolate.
 
Na boca é seco, com corpo médio, grande acidez, e algumas bolhinhas de gás carbônico que, ainda bem, se dissiparam rapidamente em taça. O álcool é um pouco acentuado, e os taninos são finos, quase imperceptíveis. Persistência em 8-9 segundos, com retro-olfato confirmando o nariz. Não apresentou amargor.
 
Não é um vinho notável, mas é agradável. Pelos 35 reais que custa, concorre ou bate quase todos os vinhos nacionais da mesma faixa que eu conheço.
Lídio Carraro Dádivas Merlot Cabernet Sauvignon
Região: RS (Checar região) - Brasil
Produtor:
Lídio Carraro
Importador:
-
Teor alcoólico:
-
Casta(s):
Cabernet Sauvignon - Merlot
Preço: R$ 35,00 - R$ 40,00

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Château de Campuget Tradition Rouge 2005


Servido no jantar de sábado aqui em casa, acompanhando uma paleta de cordeiro, este Château de Campuget Tradition Rouge foi mais um bom exemplar do Rhône que bebi ultimamente.

Elaborado na AOC Costières de Nîmes, localizada no Sul do Rhône, as vinhas que dão origem a este vinho da Campuget têm média de 25 anos de idade. O vinho é um corte de 65% Syrah, 30% Grenache e 5% Mourvèdre, uma combinação clássica do sul do Rhône. É fermentado em tanques de inox, com maceração que varia de 15 dias a 3 semanas.

O vinho é vermelho rubi com média intensidade, brilhante, com algum halo perceptível. As lágrimas são rápidas, finas e abundantes, já incolores. No final da prova, mostrou algumas particulas (poucas).

No nariz, é franco, com boa intensidade aromática. Fruta vermelha em geléia, especiarias como pimenta do reino branca e noz moscada, e algum aroma animal (lembrando carne, embutido) que some em taça. Depois de algum tempo a fruta define como geléia de framboesa.

Ao provar, mostra algum dulçor e maciez, boa acidez e álcool já equilibrado. Os taninos bem fininhos completam o conjunto de corpo médio, mostrando que o vinho já está no ponto para beber. Retro-olfato traz a fruta e especiaria do nariz, agregando algum aroma floral.

É um vinho que está no estágio perfeito para beber. Já um pouco evoluído, com as arestas aparadas, mas sem ficar chato, ou com cara de decrépito. Muito gostoso tanto para beber puro quanto acompanhar comida. Quem traz é a Enoteca Fasano. Pelo preço, acho que a Nova Fazendinha traz algumas coisas do sul do Rhône tão boas quanto ou melhores, e mais baratas. Mas ainda assim é um vinho que vale a pena provar!
Château de Campuget Tradition Rouge 2005
Região: Costières de Nîmes AOC (Côtes du Rhône) - França
Produtor:
Campuget
Importador:
Enoteca Fasano
Teor alcoólico:
13%
Casta(s):
60% Syrah - 35% Grenache - 5% Mourvèdre
Preço: R$ 69,00

Agostino Finca Syrah Malbec 2007

 
Este nós abrimos aqui em casa, no almoço do feriado de 7 de Setembro. Como diz o rótulo, é um corte de Syrah e Malbec, onde a primeira predomina com 70%. As uvas vêm de duas diferentes procedências em Mendoza, sendo elas a região de Barrancas, em Maipu, e La Consulta, no Vale do Uco.

O vinho permanece em maceração a frio por 72 horas, passando depois pela fermentação alcoólica com remontagens nos primeiros dias para circular o mosto e uniformizar o contato do líquido com as particulas sólidas, extraindo mais pigmentos e substâncias responsáveis por aroma. Após maloláctica completa, o vinho passa por 10 meses em barricas de carvalho francês, e mais 6 em garrafa, antes de ir para o mercado.

O vinho é vermelho rubi de média intensidade, com reflexos violáceos e lágrimas rápidas, finas e abundantes, com cor. 

No nariz mostra fruta vermelha bem fresca, lembrando cereja e tutti-frutti. Os aromas frutados são acompanhados por um tostado muito nítido, lembrando madeira mesmo, e um pouco de chocolate. Um toque de especiaria fecha o conjunto.

Seco, com boa acidez e álcool um pouco exagerado. De corpo médio/forte, tem taninos muito presentes, com adstringência demasiada e um amargor chato. Meio verde mesmo. A persistência é longa, passando dos 10 segundos, mas infelizmente o retro-olfato não traz nada além do cheiro de madeira. Na boca a fruta se perde.

Não me agradou. A madeira atropelou a fruta no nariz e na boca, e os taninos estão muito rústicos, com taninos e amargor desagradáveis. Talvez dê uma chance de beber novamente daqui a um ano esta mesma safra (embora duvide que vai integrar), mas fora isso, não pretendo comprar de novo.

Pra não ser injusto, desta mesma vinícola e linha, gostei muito do Agostino Finca Chardonnay Viognier 2008! Esse sim é um belo custo x benefício.

Agostino Finca Syrah Malbec 2007
Região: Maipu e Valle do Uco (Mendoza) - Argentina
Produtor: Finca Agostino
Importador: Carballo Faro - BA
Teor alcoólico: 14%
Casta(s): 70% Syrah - 30% Malbec
Preço: R$ 29,90

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Cabriz Four C 2006

 
Hoje eu termino - finalmente - a deliciosa sequência de postagens sobre os vinhos degustados no City Tasting ViniPortugal Salvador. Este foi o último tinto da noite, que acompanhou umas costeletas de cordeiro.

Desta vez foi a chance de provarmos um grande exemplar do Dão, elaborado na Quinta de Cabriz, pela gigande Dão Sul. É um corte das autóctones Touriga Nacional, Tinto Cão, Baga e Trincadeira em proporções não reveladas pelo produtor, que passa por 10 meses em barricas de carvalho francês.

O vinho é vermelho violáceo muito intenso, com lágrimas rápidas, finas e abundantes.

No nariz é muito intenso, com fruta em compota, lembrando ameixa; notas de torrefação, café e especiaria. Também tem algo leve que me lembrou couro, mas foi tão tênue que não tenho certeza.

Extremamente encorpado, com muito volume de boca, álcool e acidez altos, taninos muito presentes, mas de boa qualidade. Persistência de 15 segundos ou mais, e retro-olfato valorizando as notas de torrefação. Enfim, um daqueles vinhos que se equilibra nos superlativos, e provavelmente ainda tem muita estrada pela frente!

Nesta altura, depois de muita comida e 11 vinhos antes, a capacidade de análise já estava claramente embotada. Pelo que pesquisei, é considerado um grande vinho de Portugal.  Como ele estava esplêndido com a comida, e eu não estava em condições de análises estritamente técnicas naquela altura do campeonato, me dou o direito de ser parcial e concordar!

Cabriz Four C 2006
Região: Dão DOC - Portugal
Produtor: Quinta de Cabriz - Dão Sul
Importador: Winebrands
Teor alcoólico: 14,5%
Casta(s): Touriga Nacional - Tinto Cão - Trincadeira - Baga
Preço: R$ 368,00