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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

#CBE Pérez Cruz Limited Edition Cabernet Franc 2012



O tema de setembro da Confraria Brasileira de Enoblogs, escolhido pelo confrade Felipe, do blog BebadoVinho, foi belo desafio: vinho 100% Cabernet Franc de qualquer país e faixa de preço". Desafio porque é muito difícil encontrar um monovarietal da CF, que geralmente é usada em cortes bordaleses, seja em Bordeaux ou qualquer canto do mundo.

A princípio pensei em dar uma de engraçadinho e pegar um Rosé do Loire, uma vez que não houve restrição a tintos, mas a excelente oferta de rótulos de Salvador me forçou a mudar de ideia rapidinho.

Enfim, acabei esquecendo de comprar o vinho e passei numa delicatessen hoje, onde me bati com este Pérez Cruz Limited Edition, que me convenceu por dois motivos:

1 - Gosto muito dos rótulos que já provei da vinícola.

2 - R$ 88,00 por R$ 59,00. P*** argumento!

E acabei de descobrir no site da vinícola que este rótulo, desta safra, levou 92 pontos no descorchados. Bom!

Bem, olhando agora a ficha técnica, vi que ele não é 100% CF. Na real são 94% CF, 3% Carménère e 3% Petit Verdot. Mas isso já basta pra ser considerado varietal no Chile e no fim das contas, são 6%, pelamordedeus!

O vinho é produzido no Maipo, com uvas colhidas já no mês de abril (pense no amadurecimento!) e maceradas por 27 dias. Passa por 14 meses de estágio em barricas de carvalho francês.

Agora que eu li a ficha técnica enquanto o vinho descansava na taça...vamos à degustação:
Visual: Vermelho Rubi com reflexos violáceos, intenso e brilhante.

Olfativo: Intenso. Aroma mescla frutas vermelhas como morangos com uma compota, lembrando goiabada. Especiarias como pimenta do reino e cravo se integram bem ao conjunto, lembrando aquelas geleias de frutas temperadas. Muito interessante!

Gustativo: É aquele típico vinho sul-americano que se equilibra nos superlativos: acidez bem viva; taninos pegando a gengiva, mas de boa qualidade e sem travar demais; álcool potente e até um pouco quente demais, mas conferindo maciez. Muito, muito persistente na boca: o gosto vai ficar lá mais de meio minuto, sendo que nos primeiros 10 segundos é acompanhado pela percepção do álcool e dos taninos.

Opinião: Tá delicioso e vale os 88 reais. Por 59 é um negócio da China. Dá pra beber já, mas vai se beneficiar muito com o passar dos anos. Se no nariz já tá mostrando tanto resultado assim com 2 anos, imagina só com uns 6...quem quiser provar, pode mandar brasa sem medo.

Pérez Cruz Limited Edition Cabernet Franc 2012
Região: Vale do Maipo - Chile
Produtor: Viña Pérez Cruz
Importador: Carballo Faro
Teor alcoólico: 13,7%
Casta(s): 94% Cabernet Franc - 3% Carménère - 3% Petit Verdot
Preço: R$ 88,00

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Grochau Cellars "Tinto" 2010



Este vinho ganhei de presente de um casal de amigos que estão morando na gringa, o Leo e a Vivi, por ocasião de uma visita deles à terrinha. O que achei bacana nele é que foge ao clichê do que temos disponível em vinhos estadunidenses aqui no Brasil: os californianos.

Pois bem, trata-se de um exemplar oriundo do Oregon, estado que tal como a Califórnia fica na Costa Oeste dos EUA, porém, mais ao norte. A produção de vinhos lá é relativamente recente e surgiu com a segunda onda de produtores estadunidenses, quando a Califórnia já era um produtor conhecido. Esta garrafa vem da região de Rogue Valley, uma das três grandes do Oregon.

É um corte de Tempranillo, Syrah e Grenache cujas proporções constavam na garrafa e esse irresponsável blogueiro infelizmente esqueceu de tomar nota. No site não há mais informações sobre o processo de vinificação.

Visual: Vermelho-violáceo intenso, mostrando juventude.

Olfativo: Aromas intensos, lembrando ameixa, frutas vermelhas em geral (mas sem exageros) e algo de especiaria, lembrando pimenta, de leve. Surgiu uma nota inusitada também - para vinhos tintos - que lembrou casca de tangerina.

Gustativo: Corpo médio, com grande acidez e taninos bem presentes, secando a boca. Não possui tanto volume de boca, mostrando uma pegada mais leve. Persistência media, com retro-olfato lembrando baunilha.

Opinião: Vinho interessante, com aromas agradáveis e uma pegada levemente rústica na boca. Pede comida para acompanhar. Foge ao padrão de vinhos excessivamente frutados e com estrutura musculosa, quase adocicados, que muitas vezes vemos nos Californianos. Excelente opção, pena que não está disponível no mercado nacional. Meus agradecimentos ao casal Robadey!

Grochau Cellars "Tinto" 2010
Região: Rogue Valley (Oregon) - Estados Unidos
Produtor: Grochau Cellars
Importador: -
Teor alcoólico: 13,5%
Casta(s): Tempranillo, Syrah, Grenache
Preço: US$ 18,00 (No site da vinícola)

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Barista Pinotage 2010

 
Confesso que sempre fui meio preconceituoso com os vinhos feitos da uva Pinotage, emblemática da África do Sul. O motivo? Boa parte dos exemplares mais acessíveis que chegam aqui no Brasil (por acessível entenda "até 50 reais") tem corpo magrinho, que soa quase ralo. E o clássico defumado característico da casta se manifesta geralmente em um cheiro desagradável de borracha queimada.

Ainda assim, outro dia tive vontade de arriscar um Pinotage, num jantar familiar no restaurante Barbacoa, que para mim é um dos melhores lugares para se comer carne em Salvador.

O rótulo escolhido foi o Barista Pinotage 2010, feito na região do Paarl. Pelo site do produtor dá para ver que o vinho passa por barricas de carvalho francês, mas não há informações mais detalhadas sobre a vinificação. Confira minha nota de degustação:


Visual: O vinho mostrou uma cor vermelho-rubi com reflexos violáceos, bastante brilhante com boa transparência e translucidez.

Olfativo: É um dos raros exemplos nos quais a descrição do contrarrótulo é precisa! Mostra aromas de chocolate e café se mesclando harmonicamente a notas de cereja amarga (ginja). Aquele defumado clássico vem de forma mais refinada, que com o tempo em taça se define para algo que lembra açúcar queimado, caramelo. Tem média intensidade no nariz e é bem elegante.

Gustativo: Corpo médio, com excelente acidez, que pede comida. Álcool de 13,5% bem equilibrado, sem se mostrar. Taninos muito finos e sedosos. Persistência média na boca, com final agradável, redondo.

Opinião: Acho que acertei na mosca! É um vinho elegante, com aromas instigantes e harmônicos, além de ser super agradável na boca. Pronto para beber, sem arestas. Recomendo muito!

Barista Pinotage 2010

Região: Paarl
Produtor: Barista
Importador: Mistral
Teor alcoólico: 13,5% 
Casta(s): Pinotage 
Preço: No restaurante e nas lojas de Salvador, aprox. R$ 89,00. R$ 65,00 no site do importador. 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Ventisquero Grey Carménère 2009



Este Carménère é elaborado pela Ventisquero no Vale do Maipo, com assinatura do enólogo Felipe Toso. Apesar de ser considerado um varietal pela legislação chilena, conta com parcelas de 7,5% de Syrah e 7,5% de Cabernet Sauvignon.

Passa por maceração pré-fermentativa, fermentação a temperaturas controladas (entre 24 e 26 graus) e posterior estágio em barricas de carvalho francês por 18 meses. Passa ainda por um estágio de mais 8 meses na garrafa antes de ir para o mercado.

Degustação:
Visual: Vermelho-violáceo muito intenso, cor impenetrável.

Olfativo:
Começa meio fechado. Uma fruta escura, ameixa, meio terroso. Abre uma agradável nota de chocolate e algo de framboesa.

Gustativo:
Encorpado, com álcool potente, boa acidez, taninos também potentes, mas com boa qualidade. Macio. Alta persistência na boca, passando muito dos 10 segundos, ressaltando a nota de chocolate, combinada com a fruta. Com tempo em taça arrefece e fica mais aveludado ainda.

Opinião:
Um belo vinho, mas ainda jovem. Para quem gosta de um perfil mais opulento é uma festa. Para quem gosta de mais elegância e delicadeza, penso que tem potencial, mas é necessário aguardar uns 3, 4 anos. Não tem aquele caráter vegetal muitas vezes enjoativo da Carménère, o que é um grande mérito!

Ventisquero Grey Carménère 2009
Região: Vale do Maipo - Chile
Produtor: Viña Ventisquero 
Importador: Cantu
Teor alcoólico: 14%
Casta(s): 85% Carménère - 7,5% Syrah - 7,5% Cabernet Sauvignon
Preço: aprox. R$ 90,00

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Valdivieso Single Vineyard Cabernet Franc 2007



Tinto chileno do Vale de Curicó, proveniente de vinhas de Cabernet Franc com mais de 50 anos de idade. Fermentado em tanques de inox por 7 a 10 dias, aos quais se seguiu uma maceração pós-fermentativa de 7 a 14 dias. Passou por 12 meses em barricas de carvalho francês, 35% delas de primeiro uso.

Degustação:

Visual: Vermelho-rubi intenso, que forma lágrimas abundantes, finas e cheias de cor na taça.

Olfativo: Começa fechado, mas não demora a abrir os aromas para uma geléia de frutas vermelhas bastante agradável, acompanhada por uma nota de capuccino muito bem integrada, aquele misto de café/chocolate. Pimenta do reino muito evidente também.

Gustativo: Corpo médio/forte, com grande acidez e álcool muito potente. Taninos marcam bem a boca com adstringência. Persistência em uns 8 segundos. Vinho "duro" na boca. Final com nota terrosa.

Opinião: Tem aromas bem agradáveis, mas ainda é um vinho muito duro, com acidez, álcool e taninos sobrando. Talvez precise de mais tempo para afinar.

OBS: Com 30 min de aberto o vinho dá uma arrefecida e amaciada. A sensação do álcool e taninos melhora sensivelmente. Passando 1h de aberto ele se resolve na boca e fica bem agradável. Muda muito e adquire elegância. Conclusão: precisa de decanter! No site do produtor estimam 7 anos de guarda. Assino embaixo e acho que pode durar até mais.

Valdivieso Single Vineyard Cabernet Franc 2007
Região: Vale de Curicó - Chile
Produtor: Valdivieso
Importador: -
Teor alcoólico: 13,5%
Casta(s): Cabernet Franc
Preço: R$ 80,00 - R$ 90,00

sexta-feira, 23 de março de 2012

Corte Alla Flora Syrah Toscana IGT 2008



Outro vinho da Corte Alla Flora, desta vez de uma série de monovarietais produzidos  na Toscana com uvas francesas como a Cabernet Sauvigon, a Merlot, e, neste caso a Syrah. O chato aqui é que não consegui localizar nem no site da vinícola nem no da importadora dados ou ficha técnica sobre este produto. Sequer vi referência, ao contrário do CS e Merlot.

Degustação:
Vermelho-violáceo bem intenso, impenetrável pela luz.

Começa já aberto, intenso. Aroma exuberante de frutas vermelhas (framboesa, cerejas), leve tostado bem integrado e pimenta do reino. Mas o que ressalta mesmo é a fruta.

Encorpado, potente, com boa acidez, álcool bem pronunciado ainda. Taninos médios. Enche a boca com aroma de fruta. Persistência longa, em 9 segundos onde a sensação de fruta fresca predomina com suculência. Álcool acompanha a persistência.

Bom exemplar de Syrah italiano, mas ainda novo e cheio de arestas. Tende a evoluir bem por alguns anos, pois tem acidez, álcool, taninos e muita fruta.

Corte Alla Flora Syrah Toscana IGT 2008 
Região: Toscana IGT - Itália 
Produtor: Corte Alla Flora
Importador: Ana Import
Teor alcoólico: 14%
Casta(s): Syrah
Preço: entre R$ 80,00 e R$ 90,00

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Groth Sauvignon Blanc 2009



Este vinho foi trazido dos EUA por um amigo, o Alexandre Brault e provado em uma mini-degustação de Sauvignon Blanc. Trata-se de um curioso exemplar da Califórnia.

O vinho tem uma parcela mínima de Sémillon (3%) e 70% do mosto é fermentado durante duas semanas em barricas de carvalho usadas (4-8 anos de uso). O restante passa pela fermentação em tanques de inox. A parcela barricada do vinho passa por estágio sur lies nos barris durante 5 meses, o que confere cremosidade e complexidade aromática.

Degustação:
Visualmente o vinho parece jovem, de cor amarelo-palha clara e brilhante.

No nariz veio a surpresa. Quando bebemos não tínhamos lido a ficha técnica e por sermos acostumados a Sauvignon Blanc frescos e não barricados, fomos surpreendidos! Aromas que começam discretos, com média intensidade. Fruta branca, floral e uma baunilha bem perceptível.

Na boca tem corpo médio, com acidez redonda, moderada. Álcool um tanto potente, mas sem desequilíbrio. No retro-olfato, novamente fruta branca, lembrando pêssego, com baunilha e uma nota amanteigada. No final, aquele floralzinho. Persistência média (7-8 segundos). Muito macio.

Na lata eu percebi que esse vinho tinha sido fermentado em barricas e passado um tempo sobre as lias. Mas numa degustação cega, confesso que NUNCA adivinharia que se tratava de um Sauvignon Blanc, uma vez que não identifiquei nenhum dos descritores clássicos da casta.

Meus dois confrades concordaram comigo e até brincamos que se fosse para chutar uma casta, provavelmente diríamos que era um Viognier!

Mas é um vinho muito agradável e, justamente por se tratar de um Sauvignon Blanc, surpreendente! Não sei se chega ao Brasil por alguma importadora, mas se você se deparar com um, prove!


Groth Sauvignon Blanc 2009
Região: 
Oakville (Napa Valley - Califórnia) - EUA

Produtor: Groth Vineyards & Winery
Importador: -
Teor alcoólico: -
Casta(s): 97% Sauvignon Blanc - 3% Sémillon
Preço: US$ 15,00 - US$ 20,00

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Petit Fumé Pouilly Fumé 2009



Vinho da conhecida AOC do Vale do Loire, que elabora vinhos de Sauvignon Blanc conhecidos pela mineralidade e aromas que lembram certo defumado. Confesso que foi meu primeiro exemplar, logo, a prova foi cercada de muita expectativa e animação!

O vinho é elaborado com uvas de vinhedos de 10 a 15 anos e produção entre 5 e 5,5 mil litros por hectare. O mosto passa pela fermentação alcoólica a temperaturas controladas (16 a 18 graus) e posterior estágio em tanques de inox sur lies durante 3 meses.

Degustação:
Amarelo-palha claro e brilhante, com reflexos verdes.

Média intensidade, com a tipicidade do sauvignon blanc, em um leve herbáceo que lembra grama cortada, misturado ao aroma cítrico. Mineralidade muito perceptível, tipo pedra mesmo e também combustível, fluido de isqueiro.

Corpo médio, com bela acidez, algum dulçor. Álcool equilibrado. Na boca é cheio de aromas, vivo, com a mineralidade muito intensa e uma persistência grande, que passa dos 8 segundos.

Não conhecia o estilo, logo não tenho bagagem suficiente para analisar do ponto de vista da tipicidade. Mas achei muito bom e totalmente diferente de qualquer Sauvignon Blanc que já bebi! É um tipo fascinante de vinho.

Petit Fumé Pouilly Fumé 2009
Região: Pouilly Fumé AOC (Vale do Loire) - França
Produtor: Michel Redde et Fils
Importador: Ana Import
Teor alcoólico: 12%
Casta(s): Sauvignon Blanc
Preço:
aprox. R$ 90,00

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Tùran Rosso Sant'Antimo DOC 2005


Ganhei este vinho de presente de natal de minha irmã no ano passado. Sem paciência para guardar mais e com um bichinho me dizendo ao pé do ouvido que estava no momento certo de beber, resolvi abrir esta garrafa outro dia. 

O ano de 2005 foi a primeira safra deste produto da Tenute Silvio Nardi, que é um corte de castas francesas e italianas, com 40% Petit Verdot, 30% Sangiovese, 20% Syrah e 10% Colorino. O vinho passou por fermentação e maceração durante 21 dias em temperaturas abaixo dos 28 graus. Estagiou por 6 meses em barricas francesas do tipo Allier e mais um tempo em garrafa não informado pelo produtor, antes de ser liberado para venda.

Duas curiosidades sobre o vinho: 
- O nome Tùran vem de uma divindade etrusca semelhante à grega Afrodite.
- A DOC de Sant'Antimo foi criada para fomentar a venda dos vinhos de Montalcino que não fossem Brunello, Rosso e Moscadello. Além de aceitar uvas estrangeiras, a DOC criada em 1996 abrange vinhos brancos. Há controle sobre o rendimento dos vinhedos e também da quantidade de vinho em relação às uvas.

Degustação:
Vermelho rubi fechado, intenso. 

Intenso, floral e uma cerejinha com um quê de licor. Especiaria (pimenta do reino). Elegante.

Seco, de bom corpo, mas já afinado. Acidez adequada, álcool pouco perceptível, bem equilibrado. Taninos já maduros, bem afinados, embora presentes. Retro-olfato confirma e deixa também uma impressão do carvalho, em uma persistência média/longa (8, 9 segundos), que também mantém os taninos, secando a boca.

Bem equilibrado na boca, com aromas muito agradáveis. O tempo fez bem a ele, já não tem mais arestas. Não sei se ganha mais complexidade com guarda além dos 6 anos. Creio que está no momento certo para consumo. Coisa boa.

Tùran Rosso Sant'Antimo DOC 2005
Região: Sant'Antimo DOC (Montalcino - Toscana) - Itália
Produtor: Tenute Silvio Nardi
Importador: Ana Import
Teor alcoólico: 13,5%
Casta(s): 40% Petit Verdot - 30% Sangiovese - 20% Syrah - 10% Colorino
Preço: 
R$ 90,00

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Sandeman Porto Ruby


Porto Ruby básico da Sandeman, um dos grandes produtores deste tipo de vinho. Foi aberto há cerca de duas semanas, e degustado em diversos momentos, sendo que as impressões variam de acordo com o tempo. Em linhas gerais, parte dos vinhos do Porto - e este é o caso - conseguem manter certo frescor por até um mês, se conservados na geladeira. Tenho tomado o cuidado de usar a bomba de vácuo sempre que bebo uma taça.

Degustação:
Vermelho violáceo intenso, límpido e brilhante. 

Intenso, bem intenso. Na primeira vez que abri, parecia um vinho não fortificado, tamanho o frescor dos aromas, que lembravam muito frutas vermelhas, ameixa. Também mostrou especiarias. Depois de duas semanas, os aromas evoluíram para uma fruta mais passada, como uvas passas, licor (uvas e cereja), e a especiaria se acentuou e definiu para pimenta do reino. Manteve a intensidade, aquela sensação de "nariz cheio".

Encorpado, untuoso, com boa acidez, dulçor acentuado mas sem se mostrar enjoativo. Sem sensação de taninos. Álcool no lugar (19,5%). Persistência longa (10+). Muito sedoso, daqueles que dá vontade de beber em goles grandes. O retro-olfato acompanhou a evolução do vinho.

Tenho pouca experiência com Porto em geral, mas creio que seja o melhor, ou um dos melhores portos Ruby básicos que já provei. Muito bom mesmo!

Sandeman Porto Ruby
Região: Vinho do Porto (Douro) - Portugal
Produtor: Sandeman
Importador: -
Teor alcoólico: 19,5%
Casta(s): -
Preço: aprox. R$ 95,00

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Quinta do Vale D. Maria 2007

Primeiro tinto para acompanhar o jantar do City Tasting ViniPortugal Salvador, que escoltou um spaghetti com molho de tomate, manjericão e beringelas.

Mais um exemplar do Douro degustado na noite, este é um blend de 41 variedades de uvas autóctones não identificadas nem no rótulo, nem na ficha técnica. Curioso, não? As vinhas têm em média 25 a 60 anos de idade. 

O segundo detalhe interessante sobre este vinho é que ele é elaborado pelo tradicional método de prensagem das uvas com pisa a pé em lagares. Após isso o vinho passa por fermentação de 7 a 10 dias, seguida da fermentação maloláctica em barricas de carvalho francês 70% novas e 30% com 1 ano de uso.
O vinho é vermelho violáceo de intensidade média; com lágrimas rápidas, finas e abundantes, ainda com cor.

Tem boa intensidade aromática, mostrando fruta escura, leve defumado, e aromas lembrando caramelo e doce de leite.

Na boca é seco, com corpo médio, ótima acidez e álcool bem equilibrado para os espantosos 14,9%. Os taninos se mostram bem discretos neste vinho. Persistência média, de 7 segundos, e retro-olfato confirmando o nariz.

Um vinho agradável, muito gostoso mesmo, e bem feito. Mas eu achei meio caro para o que entrega.

Quinta do Vale D. Maria 2007
Região: Douro DOC - Portugal
Produtor: Quinta do Vale D. Maria
Importador: Vinho Sul
Teor alcoólico: 14,9%
Casta(s): 41 Castas não mencionadas
Preço: R$ 93,90

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Château L'Escart Cuvée Prestige 2007

Bebi este Bordeaux Supérieur ontem à noite no wine bar da Ana Import, acompanhado por minha irmã Roberta num agradável happy hour. Uma ótima companhia para tomar um  bom vinho, por sinal!

A respeito da elaboração do vinho, no site do Château L'Escart é possível ver que os vinhedos são plantados na proporção de 53% Merlot, 25% Cabernet Sauvignon, 14% Cabernet Franc e 8% Petit Verdot. Logo, possivelmente a Merlot predomina no corte do vinho, com relação às Cabernet, mas é só uma suposição. 

Não há mais informações no site a respeito da proporções exatas das castas no corte deste vinho, ou do processo de vinificação. Tentarei conseguir uma ficha técnica, e fico devendo uma postagem aqui assim que conseguir.

Como já mencionei acima, este vinho é da AOC Bordeaux Supérieur, que nada mais é do que a mesma região da AOC genérica de Bordeaux, mas com regulamentação um pouco mais rígida em alguns pontos da elaboração, como rendimento máximo das vinhas (50hL/ha, contra 55hL/ha da AOC Bordeaux), e a obrigatoriedade de manter o vinho em adega por 12 meses antes de liberar para o mercado. Além disso, as vinhas usadas para produzir um Bordeaux Supérieur são mais antigas, e o vinho às vezes passa por barricas de carvalho.

Este vinho mostrou bonita cor vermelho rubi límpida e brilhante, de média intensidade com relativa transparência. As lágrimas eram rápidas, finas e abundantes, ainda com alguma cor rubi.

No nariz mostra aroma a frutas vermelhas em geléia e algum aroma fresco lembrando menta ou eucalipto (confesso que não fiz uma distinção exata). Começa fechado e melhora muito no decorrer de uma hora, chegando a uma intensidade aromática média, e revelando aromas  discretos e bem integrados de especiaria, como pimenta do reino. O único ponto negativo é que a partir de 1 hora e meia mais ou menos ele começa a perder um pouco de intensidade aromática.
Ao provar o vinho é seco, com corpo médio, boa acidez (acentua um pouco depois de algun tempo, mas não incomoda), álcool integrado apesar dos 13%, taninos firmes com alguma adstringência, mas finos. Persistência média (7-8 segundos), com retro-olfato confirmando a percepção do nariz, e lembrando também ameixa em calda, uvas passas, tudo sem exageros.

Um vinho elegante, com perfil diferente do que estou acostumado a beber. E confesso que quero mesmo é beber mais e mais destes. Não vou discorrer sobre relação custo x benefício deste vinho pois ainda preciso construir uma base de comparação em termos de Bordeaux. Em tempo, o vinho custa R$ 89,00 na Ana Import do Iguatemi, mas paguei R$ 50,00 em uma promoção que ainda deve durar pelos próximos dias. 

Fica a dica para o pessoal de Salvador!
Château L'Escart Cuvée Prestige 2007
Região: Bordeaux Supérieur AOC (Bordeaux) - França
Produtor:
Château L'Escart - Gérard et Damien Laurent
Importador:
Ana Import
Teor alcoólico:
13%
Casta(s):
-
Preço: R$ 89,00

OBS: Só consegui encontrar foto da safra 2002, mas o rótulo continua praticamente igual.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Quinta da Romeira Espumante Bruto 2005

Segundo vinho da noite de ontem (17/06), este foi o meu segundo espumante português. Produzido na DOC de Bucelas, localizada na região de vinhos de Lisboa (antiga Estremadura), este espumante é um monovarietal da casta Arinto, elaborado através do método tradicional (champenoise).

A cor é amarelo-palha de média intensidade, com reflexos verdes. O perlage é bem fino, delicado, lento, em média quantidade, formando uma coroa persistente.

No nariz é bem intenso, com aromas a abacaxi em calda, notas de pão tostado, amanteigado, e também castanha de caju. O aroma continua muito intenso, mesmo com algum tempo no flute.

Na boca apresenta-se seco, com ótima acidez, álcool integrado, perlage cremoso e com média persistência na boca. A persistência retro-olfativa é de cerca de 9 segundos, com retro-olfato confirmando o nariz, valorizando as notas tostadas. Encorpado para o padrão dos espumantes que estou habituado.

Aqui me surpreendeu a estrutura deste espumante, com notas tostadas e amanteigadas bem ressaltadas, persistência e intensidade aromática acima da média. Talvez o perlage pudesse ser mais persistente na boca, embora tenha boa cremosidade. Sem dúvida, um belo espumante.

Quinta da Romeira Espumante Bruto 2005
Região: Bucelas DOC (Vinhos de Lisboa) - Portugal
Produtor: Companhia das Quintas - Quinta da Romeira
Importador: Interfood
Teor alcoólico: 12%
Casta(s): Arinto
Preço: R$ 89,48

quarta-feira, 24 de março de 2010

Ramos Pinto Collection 2006

Pelo que notei, este vinho - que na degustação do dia 17/03 escoltou um arroz de pato - é uma das meninas dos olhos da Adriano Ramos Pinto, em termos de vinhos tranquilos.

As pistas que indicam para este caminho são o nome - que não faz parte de nenhuma linha, é um produto isolado - aliado ao rótulo diferenciado, e a uma interessante jogada de marketing: 60% do vinho é composto por castas típicas do Douro. Os outros 40% são denominados como "mistura" na ficha técnica, mantendo assim uma aura de mistério sobre o blend.

Na análise visual, é vermelho rubi, com reflexos violáceos, brilhante, de intensidade média para alta (ainda mantém uma mínima transparência). As lágrimas são rápidas, finas e abundantes.

No nariz ele mostra a que veio, com grande intensidade logo de início, mostrando frutas escuras, (mais uma vez ameixa) e especiarias com grande intensidade, secundadas por notas de chocolate e café.

Na boca se mostrou seco, com ótima acidez, álcool perceptível e refrescante, mas bem integrado, com muita maciez e grande persistência (9s). O retro-olfato lembrou vinho do porto, além de confirmar os aromas do nariz.

Após algum tempo de aberto, veio novamente no nariz a sensação láctea semelhante à do Duas Quintas Tinto, bebido logo antes. Mas ao contrário do tinto que o precedeu, que tinha um perfil mais discreto, este é mais voluptuoso, e opulento cumprindo o que se propõe.

Ramos Pinto Collection 2006
Região: Douro DOC - Portugal
Produtor: Adriano Ramos Pinto
Importador: Casa dos Vinhos - BA
Teor alcoólico: 14,5%
Casta(s): 30% Touriga Nacional - 30% Touriga Franca - 40% Mistura
Preço: R$ 89,00