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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Casa de Santa Vitória Touriga Nacional 2009



Já havia provado este Touriga Nacional outras vezes - mas de safras anteriores - em eventos de degustação aqui em Salvador e São Paulo, no entanto esta foi a primeira vez que tive uma garrafa "para chamar de minha" e realmente beber o vinho com mais calma e atenção. E claro, depois da degustação técnica, beber o restante da garrafa em família! 

Pra dar uma (explicação) rapidinha, a Casa de Santa Vitória é o braço vitivinícola do grupo Vila Galé, mais conhecido por sua atuação no setor hoteleiro. Os vinhedos ficam na região do Alentejo, onde a empresa também produz azeites de qualidade.

Este exemplar foi eleito em sua safra 2008 como o melhor vinho tinto do Velho Mundo na Expovinis 2012. A safra 2009, que degustei, faturou uma medalha de prata no Decanter World Wine Awards 2013.

Para produzir este vinho as uvas são colhidas manualmente e selecionadas. O mosto passa por maceração a frio durante 2 dias e depois é fermentado a 26 graus em lagares. Passa por fermentação maloláctica em barricas novas de carvalho francês, nas quais estagia por 14 meses.


Visual:  Vermelho violáceo muito intenso e brilhante.

Olfativo: Inicia já muito intenso, com notas de fruta vermelha bem madura, floral, folhas de chá, baunilha e especiarias.

Gustativo: Se mostra jovem, a afinar. Muito robusto, com taninos bem presentes e adstringentes, mas com qualidade, daqueles que ficarão bem elegantes. Bela acidez, viva, mas integrada ao conjunto. Álcool um pouco ressaltado, mas dá pra notar que está a par do conjunto. Macio. Parrudo. Sem amargores exagerados no final de boca, bem maneirinho. Persistência muito grande, com suculência, fruta. Taninos marcam o final. Persiste na boca por mais de 15 segundos.

Opinião: Um vinho jovem e já excelente para ser bebido, mas que com certeza se beneficiará muito de guarda, para quem gosta de vinhos evoluídos. Para os que gostam de um perfil opulento, gordo e com muita exuberância de fruta, está perfeito para consumo imediato.

Casa de Santa Vitória Touriga Nacional 2009
Região: Vinho Regional Alentejano - Portugal
Produtor: Casa de Santa Vitória
Importador: Adega Tio Sam
Teor alcoólico: 14%
Casta(s): Touriga Nacional
Preço: R$ 117,60 (Adega Tio Sam)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Margan Botrytis Sémillon 2005



Ontem decidimos eu e a Daniela - minha digníssima - passar o Dia dos Namorados tranquilamente aqui em casa. Já foram muitas as experiências de peregrinação restaurante em restaurante sem achar uma mesa e atendimentos péssimos devido a estabelecimentos lotados. Fiz uma massa com molho de cogumelos shitake, paris e porcini; tomamos algumas cervejas especiais e para fechar...um belo vinho de sobremesa!

Acredito piamente que os vinhos doces de colheita tardia são os de sabor/aroma/textura mais românticos e sensuais do mundo do vinho. Me falem em champagnes, pinot noirs e etc. Concordo com tudo, mas nada bate um belo e untuoso colheita tardia!

Esse exemplar australiano de Hunter Valley é feito com uvas Sémillon afetadas pelo podridão nobre, ou seja, pelo fungo Botrytis cinerea. Devido aos seus 8 anos de idade, minha descrição difere um bom tanto da nota de degustação da safra 2005 que consta no site da vinícola e descreve uma abundância de aromas cítricos. Confira minha opinião sobre este vinho! ;)

Visual: Marrom. Âmbar. A clássica cor do último estágio de evolução do vinho, que vaticina a decrepitude. A morte anunciada.

Olfativo: Aromas igualmente evoluídos. Começa com um quê de borracha queimada que logo passa e dá lugar a mel, frutas secas e um distante maracujá ultra maduro, que é a nota mais próxima de "fresca" que se pode notar. Ainda assim, muito interessante!

Gustativo: Aqui vem a surpresa...acidez?? Sim! Já bem moderada pelos 8 anos em garrafa, mas ainda presente, dando um sopro de vida ao vinho. Dulçor bem acentuado, já ganhando um pouco a briga para a acidez. Os 10,5% de álcool ficam de fora da contenda, mantendo-se em seu devido lugar. Muito untuoso, aveludado, mas sem ser chato. Grande persistência na boca e retro-olfato licoroso, lembrando licores de jenipapo e tamarindo!

Opinião: Como não tenho larga experiência sobre vinhos de colheita tardia, sobretudo os botrytizados, fica difícil dar um parecer definitivo. Meu chute é de que ele já cruzou o ponto alto na curva de evolução e, embora ainda esteja repleto de qualidades, deve ser bebido de imediato. Inegavelmente o açúcar contribuiu decisivamente para a longevidade deste vinho. Apresenta aromas bem instigantes e sua textura aveludada é exatamente o que pede uma noite de dia dos namorados! 

Margan Botrytis Sémillon 2005
Região: Hunter Valley, Austrália
Produtor:  Margan 
Importador: 
Teor alcoólico: 10,5%
Casta(s): Sémillon
Preço: aprox R$ 110,00 (comprado por R$ 50,00 em queima de estoque da Adega Tio Sam)

quinta-feira, 22 de março de 2012

Corte Alla Flora Loggiato Vino Nobile de Montepulciano DOCG 2002


Este vinho foi uma das surpresas mais agradáveis que bebi este ano! Achei ele em uma liquidação da Ana Import e, como sempre acontece com vinhos desta idade, fiquei no dilema: "arriscar em um vinho que pode estar morto ou não?". O Jason, sommelier da casa, foi muito sincero ao dar seu parecer: "cada garrafa tem sua história. Existe um risco". 

Ainda assim, os 50 reais cobrados pela garrafa (contra aproximadamente 150 de preço original) aliado à possibilidade de comprar um belo vinho já evoluído, no bom sentido, me levaram a comprar.

O vinho é da DOCG de Vino Nobile de Montepulciano (não confundir com o Montepulciano d' Abruzzo), onde os vinhos são elaborados com uma parcela predominante de Prugnolo Gentile, nome dado à Sangiovese . Este exemplar leva 90% da casta autóctone, complementados com 10% das francesas Cabernet Sauvignon e Merlot. Passa por 18 meses em barricas e mais 10 em garrafa antes de ir para o mercado.

Degustação

Vermelho rubi intenso com fortes traços atijolados e halo de evolução.

Muito intenso. Fruta vermelha ainda muito exuberante. Especiarias bem nítidas também, lembrando tanto cravo quanto pimenta do reino. Folhas de chá. Abre notas de café e caramelo depois de uma hora.

Potente, macio, ainda com grande acidez. Álcool equilibrado. Taninos bem presentes, marcando a boca, mas de boa qualidade. Perfuma muito a boca e tem persistência bem longa, passando em muito dos 10 segundos, tanto no retro-olfato quanto na percepção dos taninos.

Um grande vinho! Evoluiu muito, muito bem. Já está desenvolvido, complexo, mas ao mesmo tempo ainda tem lenha para queimar, mesmo com 10 anos. Na dúvida, recomendo beber, mas acho que dá para guardar um par de anos. Acidez alta, taninos ainda pegando. Nariz intenso, gostoso na boca. 

Corte Alla Flora Loggiato Vino Nobile de Montepulciano DOCG 2002 
Região: Vino Nobile de Montepulciano DOCG - Itália 
Produtor: Corte Alla Flora
Importador: Ana Import
Teor alcoólico: 13,5%
Casta(s): 90% Prugnolo Gentile (Sangiovese) - 10% Cabernet Sauvignon e Merlot
Preço: cerca de R$ 150,00

quinta-feira, 8 de março de 2012

Duas Quintas Reserva Tinto 2008


Tentando começar a cumprir promessa de início de ano que fiz a mim mesmo de voltar a atualizar o Notas mais frequentemente, falo hoje de um vinho que degustei nos últimos tempos. Abrimos ele, mesmo cientes do infanticídio, para comemorar a entrega da tese de doutorado de minha irmã.

Exemplar duriense produzido a partir das uvas cultivadas nas Quintas da Ervamoira e do Bons Ares, este tinto é elaborado com as castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca vinificadas separadamente. Após fermentação maloláctica passa por um estágio de 18 meses em barricas de carvalho francês novo e de um ano, e mais um ano em garrafa antes de ser liberado no mercado.

Degustação:
Vermelho-violáceo muito intenso, fechado, brilhante.

Aroma intenso, elegante. Fruta madura (geléia de amora e ameixa). Leve floral. Tostado bem integrado (que define para café). Abre nota que lembra eucalipto. Álcool ainda perceptível no olfato, mesmo após 1h de aberto. 

Potente, encorpado, macio. Boa acidez, taninos finos, de ótima qualidade. Álcool um tanto perceptível ainda, mas tranquilo para os seus 15%, sem desequilíbrios. Impressiona pela suculência (dá aquela impressão de morder uma fruta). Persistência de cerca de 15 segundos, com o retro-olfato trazendo novamente fruta (apesar de as notas tostadas serem perceptíveis, a fruta domina).

Muito novo ainda e com muito tempo pela frente. Mostra potencial e já é bem saboroso e agradável no nariz, mas ainda não demonstra grande complexidade. Está na fase da potência e fruta. Acho que resiste tranquilamente uns 8-10 anos. Penso que em uns cinco já mostrará bons ganhos em qualidade. Tudo leva a crer num grande potencial de guarda: Taninos, álcool, acidez, corpo e muita fruta.

Para quem é de notas, esta safra levou para casa 91 pontos do avaliador de Portugal do Robert Parker.

Duas Quintas Reserva Tinto 2008
Região: Douro DOC - Portugal
Produtor: Adriano Ramos Pinto
Importador: Épice
Teor alcoólico: 15%
Casta(s): 70% Touriga Nacional - 25% Touriga Franca - 5% Tinta Barroca
Preço: R$ 206,00

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Colle Nero Rosso di Montalcino DOC 2006


Minha irmã trouxe este vinho de uma viagem acadêmica a Roma e o escolhemos para compor os trabalhos da noite de Natal. É um vinho proveniente da região da Toscana, mais especificamente no entorno da cidade de Montalcino. 

De acordo com a legislação vitivinícola local, deve ser elaborado totalmente com a uva autóctone Sangiovese assim como seu "primo rico", o Brunello di Montalcino, que geralmente é mais potente e complexo, além de logicamente ter maior potencial de guarda (e preço).

Infelizmente não achei nenhum site do produtor para passar informações técnicas sobre o produto.

Degustação:
Vermelho-rubi de média intensidade com levíssima borda alaranjada. Límpido.

Intenso, achei até complexo. Fruta vermelha, cereja, especiaria (cravo), erva de chá (preto, mate) e um leve eucalipto.

Médio corpo, equilibrado, com boa acidez, álcool no lugar, taninos finos. Persistência média (8s) com retro-olfato confirmando o nariz, e ressaltando o eucalipto.

Não tenho muito parâmetro para este estilo, então nem dá para falar em termos de tipicidade ou coisa assim. Mas no geral achei um vinho bem feito, equilibrado, com aromas agradáveis e certa complexidade. Penso que esteja no momento certo de beber, não acho que ganhe mais com o tempo.

Colle Nero Rosso di Montalcino 2006
Região: Rosso di Montalcino DOC (Montalcino - Toscana) - Brasil
Produtor: Azienda Agricola Campigli Vallone Pierina
Importador: -
Teor alcoólico: 13,5%
Casta(s): Sangiovese

Preço: -

* A classificação de preço se dá por comparação com o valor aplicado em vinhos do mesmo tipo no Brasil

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Trilho 2007: Um grande branco do Douro!


Sabe aquele dia em que você se depara com uma oferta irresistível pelo preço, mas com um alto risco estatístico de ser uma furada? Pois foi neste dilema que comprei este branco duriense, produzido por António Alfredo Lamas, da Quinta das Bajancas, e trazido ao Brasil pela Ana Import. 

O vinho custa aproximadamente duzentos reais em seu valor integral, mas estava em promoção por módicas cinquenta pratas! O porém? Estamos em 2011, e o vinho data de 2007, tempo suficiente para a maioria dos brancos já ter dobrado o Cabo da Boa Esperança!

Degustação:
A ansiedade ao abrir o vinho se desvaneceu um pouco ao notar uma cor amarelo-palha de média intensidade, ainda com reflexos verdes, bem límpida e brilhante. Já me tranquilizou! (Note a foto!)

Na prova definitiva do olfato, surpreendeu! Intenso no nariz, com aromas a frutas brancas (pêssego em calda), abacaxi em calda, e algo amanteigado e tostado, bem integrado ao conjunto, evidenciando estágio em madeira. Fechando o conjunto uma bela mineralidade ao fundo. Complexo e sedutor. Atiça a curiosidade e convida a beber!

Na boca, mostrou igual força: Encorpado, com acidez moderada, mas ainda adequada (de se esperar depois dos quatro anos). Tem 13,5% de álcool muito bem integrados, sem sobras. É um vinho gordo, com aquela leve sensação de dulçor, que deixa o vinho um veludo na boca. Grande intensidade no retro-olfato, confirmando os aromas do nariz em uma ótima persistência, que passa dos 10 segundos.

Delicioso! Nariz sedutor, convidativo e intenso. Na boca, dá vontade de beber em grandes goles. Soa doce e amanteigado, mas a qualidade da fruta e a mineralidade fazem com que não fique cansativo. Boa complexidade, no nariz, e a boca confirma a qualidade. A vivacidade dele depois de 4 anos surpreendeu, mas a acidez e álcool já atenuados me fazem crer que não deve esperar mais.

Um dos melhores brancos portugueses que já bebi. Está entre os tops do ano.  Uma pena ele ser tão caro aqui. Senti pena de não ter sido mais corajoso, e só ter comprado uma garrafa...

Trilho 2007
Região: Douro DOC - Portugal
Produtor: António Alfredo Lamas (Quinta das Bajancas) - Douro Family Estates
Importador: Ana Import
Teor alcoólico: 13,5%
Casta(s):  Rabigato, Gouveio, Códega
Preço: R$ 200,00

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Perinet Priorat DOQ 2004



O susto...
Este vinho me causou um belo susto esses dias aqui em casa, e me fez abri-lo mais por necessidade do que por vontade. Comprei esta garrafa em uma promoção da Ana Import pela pechincha de 50 reais (custa 215 na importadora, a Península), e na semana passada tive aquela impressão de "vem fácil, vai fácil": A garrafa estava vazando na adega!

Por isso, resolvi abrir logo o vinho, certo de que iríamos encarar a decepção de um vinho totalmente oxidado. Cortei a capsula, e mais um susto, além de totalmente infiltrada, a rolha tinha entrado pelo menos dois dedos pelo gargalo da garrafa. Não consegui nem furar  a rolha com a espiral do saca-rolhas, ela simplesmente escorregou para dentro! 

A degustação...
Passei o conteúdo todo para um decanter, e o aroma invadiu a mesa de jantar. Parecia correto!

Não resisti e servi em uma taça: Cor vermelho-rubi com reflexos violáceos ainda bem intensos para os seis anos e meio do vinho. As lágrimas eram rápidas, finas e muito abundantes e cheias de cor, tingindo a borda da taça toda. Antes, ao passar para o decanter, pude notar que o vinho apresentava sedimentos.

No nariz, a primeira coisa que chamou a atenção foi a intensidade aromática: MUITO INTENSO (primeira vez que digo isso em caixa alta e negrito neste blog). A segunda coisa que me chamou a atenção?! Estava vivo! Nenhuma nota oxidativa!

No início, os brutais 15% de álcool atrapalharam a prova ao aproximar a taça do nariz, mas o decanter ajudou muito neste quesito, em médio prazo. Muita fruta (cereja, ameixa e figo em calda) junto a um floral bem elegante e especiaria (cravo). Também alguns aromas do estágio em madeira, como café e defumado.

Na boca era encorpado, macio, com acidez correta, mas álcool muito, muito forte. Taninos macios, e aveludado, álcool, persistência absurda, passando de 1 minuto!! E mais álcool! Retro-olfato confirmou a complexidade do nariz.

Uma pausa para dados técnicos...
Elaborado na região do Priorato (localizada na Catalunha), este vinho vem de plantas tanto jovens (com 6 a 8 anos de idade), quanto antigas (35 a 80 anos). É um blend de 45% Cariñena, 35% Garnacha, 10% Cabernet Sauvignon, 7% Merlot e 3% Syrah. Segundo a ficha técnica, a safra de 2004 foi considerada excepcional, o que eu confirmei pela tabela de safras da Mistral.

Teve colheita selecionada manual no vinhedo durante a colheita, que ocorreu entre o fim de setembro e o começo de novembro, e seleção dupla (de cachos e depois de frutos após o desengace) em mesas.

Passou por fermentação a 25 graus celsius durante 18 a 22 dias, com pigeage e maceração adequadas a cada variedade. O vinho estagiou sur lies por 15 meses em barricas de carvalho francês de 300 e 400 litros, com fermentação maloláctica. Foi clarificado com claras de ovo, e não foi filtrado (o que se evidencia pelos sedimentos).

Um parecer final...
Bem, este foi o meu primeiro Priorato, e a primeira vez a gente nunca esquece! De fato não é um vinho de dia a dia, tanto pelo preço quanto pela qualidade e estrutura. Já mostrou certa complexidade com 6 anos, e também muita força pra atravessar ainda alguns anos. 

Senti pena de tê-lo bebido tão novo, pois estava com muitas arestas para aparar, sobretudo no que diz respeito ao álcool. Mas com a rolha infiltrada do jeito que estava, não tinha jeito. E por outro lado, me senti muito grato por, mesmo no estado em que a garrafa estava, o vinho ter se mantido inteiro!

Conseguiu tornar uma sexta-feira qualquer em um dia especial!

Perinet Priorat DOQ 2004
Região:  Priorat DOQ - Espanha
Produtor:
Mas Perinet
Importador:
Península
Teor alcoólico:
15%
Casta(s):
45% Cariñena - 35% Garnacha - 10% Cabernet Sauvignon - 7% Merlot - 3% Syrah
Preço: R$ 215,00

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

#CBE Chateau Pey La Tour 2004


Último tema de 2010, ou primeiro de 2011, na Confraria Brasileira de Enoblogs!

Vou fazer um post curtinho, só com a nota de degustação, pois a conexão anda imprevisível aqui, desde um incêndio que ocorreu na companhia de telefonia e internet.

Este foi o tinto que bebemos no natal aqui em casa. Sem pretensões de harmonização (acho um porre harmonizar ceia de natal), simplesmente com o intuito de beber e confraternizar!

Elaboração
Trata-se de um Bordeaux Supérieur AOC (denominação genérica, mas com algumas exigências a mais do que a Bordeaux AOC), elaborado com predominância da Merlot, seguida de Cabernet Sauvignon, Franc e da Petit Verdot. Presumo que as proporções variem um pouco a cada ano, e não consegui achar os dados técnicos da safra 2004, infelizmente.

Degustação
Visualmente apresenta cor vermelho-rubi intensa, com leve reflexo granada começando a aparecer. Lágrimas rápidas, finas e abundantes, com alguma cor. Antes de olhar, achei que fosse mostrar mais evolução.

No nariz mostra boa intensidade aromática, com aromas a fruta, ressaltando mais as escuras, como ameixa em calda ou geléia. Também mostra aroma de especiarias, lembrando cravo, leve couro, e tostado.

Ao provar mostra corpo entre médio e forte, com boa acidez, álcool equilibrado, taninos já domados, bem macios e sedosos, e um levíssimo amargor. A persistência é até longa, nos 10 segundos, com retro-olfato bem frutado, lembrando de novo geléia de ameixa.

Creio que este vinho talvez aguente mais um ou dois anos até, mas sinceramente, acho que abri esta garrafa no momento certo. Os aromas estavam no limite entre alguma evolução e o frescor da fruta, sem pender demais para um ou outro lado, e a prova gustativa mostrou um vinho sem arestas. Além de tudo, muito gostoso e elegante!

O melhor de tudo? A Grand Cru trazia ele a uns 100 reais, e eu comprei a  cerca de 50 em uma ponta de estoque!

Chateau Pey La Tour 2004
Região: Bordeaux Supérieur AOC (França)
Produtor:  Vins e Vignobles Dourthe
Importador: Grand Cru
Teor alcoólico: 13,5%
Casta(s): Merlot - Cabernet Sauvignon - Cabernet Franc - Petit Verdot
Preço: aprox. R$ 100,00

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Porto Burmester LBV 2005

Esse foi a estrela da noite no jantar enogastronômico harmonizado com vinhos do porto que fui na semana passada. Acompanhou a sobremesa, um bolo denso à base de chocolate, com chantilly de pimenta.

Ao contrário dos Tawnies, esse LBV mostrou uma cor vermelho rubi muito intensa, com reflexos violáceos. O vinho era opaco, impenetrável, ao contrário dos outros, translúcidos e brilhantes. As lágrimas são lentas, grossas e abundantes, cheias de cor.
No nariz, muito, muito, MUITO intenso. Aroma a frutas escuras, algo de cereja, especiarias, leve menta, floral muito nítido. Aqui os aromas não são de frutas e folhas secas, pelo contrário, tudo tem muito frescor.

Na boca é menos doce do que eu imaginei que seria, mas muito untuoso e vigoroso. Acidez bem alta (talvez por isso a sensação baixa de dulçor), álcool equilibrado, e persistência passando do 15 e continuando. Retro-olfato mostra leves notas tostadas, confirma o nariz definindo mais ainda as notas florais.

É um vinho muito fresco tanto nos aromas, quanto na boca, apesar de ser extremamente concentrado e opulento, característica de sua juventude. Eu prefiro não adjetivar demais o vinho, pois perderia o encanto...

PS: Não tirei fotos no evento, e a melhor foto que eu achei na internet é de um LBV 1996.

Porto Burmester LBV 2005
Região: Vinho do Porto (Douro) - Portugal
Produtor: Burmester
Importador: -
Teor alcoólico: 20%
Casta(s): Tinta Barroca - Touriga Franca
Preço: -

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Porto Adriano Reserva


Terceiro vinho do servido no jantar enogastronômico harmonizado com vinhos do porto, acompanhado de um filé mignon au poivre (um molho poivre bem espesso, por sinal) e farofa de castanha do Pará. 

Antes de mais nada digo, a harmonização foi perfeita, e o vinho do porto casou melhor do que seria com um vinho seco, devido à pimenta, que chocaria com os taninos.

Este é um tawny de corte com média de seis anos em cascos, já mais velho e evoluído que o Porto Ramos Pinto Tawny.
O vinho tem cor vermelho granada intensa, porém translúcida e brilhante, com lágrimas rápidas, espessas e abundantes.

No nariz é intenso, com aromas de frutas em calda e secas (ameixa em compota, figo seco, doce de figo), ervas aromáticas secas, leve floral, especiarias, e algo tostado que me lembrou café, e que foi ampliado pelo prato.
Ao provar, se mostrou menos doce que o Tawny anterior, com acidez muito equilibrada, muita untuosidade, álcool no lugar, persistência passando dos 15 segundos e retro-olfato confirmando o nariz, e adicionando leves notas de oxidação, e definindo a erva para um mentolado leve.

Um porto delicioso! Equilibradíssimo em todas as suas características e nem um pouco enjoado, para os que tem esse tipo de receio com vinhos do porto!
Porto Adriano Reserva
Região: Vinho do Porto (Douro) - Portugal
Produtor: Adriano Ramos Pinto
Importador: -
Teor alcoólico: 19,5%
Casta(s): Tinta Roriz - Tinto Cão - Touriga Franca
Preço: -

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Moscatel de Setúbal Alambre 20 anos


Última postagem da longa e saudosa degustação do City Tasting ViniPortugal Salvador, fechando os trabalhos da noite foi servido este Moscatel de Setúbal, junto com um trio de torta de maçã, sorvete de creme e mousse de chocolate.

Evidentemente elaborado na Península de Setúbal, este vinho fortificado é um blend da tradicional José Maria da Fonseca, feito com vinhos cuja colheita mais nova tem 20 anos, e a mais antiga, 40,  segundo a ficha técnica. 

Como diz o nome, trata-se de um vinho onde predomina a Moscatel, com pelo menos 70%. Arinto, Malvásia e Boais completam o assemblage, que estagia em cascos usados.

O resultado é um vinho de cor já bem evoluída, ambar. No olfato mostra aromas intensos, lembrando frutas secas, açúcar mascavo, casca de laranja, doce de banana.

Na boca é dulcíssimo e muito untuoso, com acidez e álcool bem equilibrados, persistência muito, muito alta, passando dos 20 segundos, trazendo todas as impressões do nariz de volta ao retro-olfato, e agregando também aquela nota oxidativa comum aos vinhos fortificados.

Francamente, não consigo ver uma forma melhor de ter encerrado a noite. É um grande vinho, naquele estilo bem voluptuoso, sedutor até. Complexo no nariz, com muitas nuances, e com aquela untuosidade bem equilibrada por uma bela acidez, que convida ao próximo gole, e ao próximo, próximo. 

É só dar o primeiro gole, e boa viagem...

Moscatel de Setúbal Alambre 20 anos
Região: Moscatel de Setúbal DOC (Península de Setúbal) - Portugal
Produtor: José Maria da Fonseca
Importador: Aurora
Teor alcoólico: 17,5%
Casta(s): Min. de 70% Moscatel, e o restante de Arinto, Malvasia e Boais.
Preço: R$ 165,00

Cabriz Four C 2006

 
Hoje eu termino - finalmente - a deliciosa sequência de postagens sobre os vinhos degustados no City Tasting ViniPortugal Salvador. Este foi o último tinto da noite, que acompanhou umas costeletas de cordeiro.

Desta vez foi a chance de provarmos um grande exemplar do Dão, elaborado na Quinta de Cabriz, pela gigande Dão Sul. É um corte das autóctones Touriga Nacional, Tinto Cão, Baga e Trincadeira em proporções não reveladas pelo produtor, que passa por 10 meses em barricas de carvalho francês.

O vinho é vermelho violáceo muito intenso, com lágrimas rápidas, finas e abundantes.

No nariz é muito intenso, com fruta em compota, lembrando ameixa; notas de torrefação, café e especiaria. Também tem algo leve que me lembrou couro, mas foi tão tênue que não tenho certeza.

Extremamente encorpado, com muito volume de boca, álcool e acidez altos, taninos muito presentes, mas de boa qualidade. Persistência de 15 segundos ou mais, e retro-olfato valorizando as notas de torrefação. Enfim, um daqueles vinhos que se equilibra nos superlativos, e provavelmente ainda tem muita estrada pela frente!

Nesta altura, depois de muita comida e 11 vinhos antes, a capacidade de análise já estava claramente embotada. Pelo que pesquisei, é considerado um grande vinho de Portugal.  Como ele estava esplêndido com a comida, e eu não estava em condições de análises estritamente técnicas naquela altura do campeonato, me dou o direito de ser parcial e concordar!

Cabriz Four C 2006
Região: Dão DOC - Portugal
Produtor: Quinta de Cabriz - Dão Sul
Importador: Winebrands
Teor alcoólico: 14,5%
Casta(s): Touriga Nacional - Tinto Cão - Trincadeira - Baga
Preço: R$ 368,00

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Quinta do Vallado Reserva 2007

Entrando na reta final da bateria de notas de degustação do City Tasting ViniPortugal Salvador, escrevo sobre este branco, harmonizado com um bacalhau no jantar.

Elaborado no Douro, este é um corte de Rabigato, Verdelho, Viosinho e Arinto. O vinho passa por 10 meses em carvalho francês, sendo 70% de barricas novas e o restante barricas com 1 ano, recebendo bâtonnage
 
Mostrou cor amarelo palha de média intensidade, com reflexos verdes. As lágrimas são rápidas, finas e abundantes.
 
No nariz é intenso, com aromas do carvalho bem aparentes, mostrando baunilha e tostado. Também tem um quê amanteigado. A fruta fica por conta de um abacaxi em compota, e fechando o conjunto uma agradável nota mineral.
 
Muito encorpado,  álcool bem potente e certo dulçor, resultando num vinho untuoso e macio que é equilibrado por uma acidez excelente. A persistência é bem longa, passando dos 10 segundos, e no retro-olfato predominam as notas tostadas e amanteigadas.
 
Um vinho muito estruturado, que aguenta bem molhos mais encorpados e peixes gordurosos, como o bacalhau. Também acredito que possa ser guardado por um par de anos sem prejuízos, embora já esteja excelente! Queria ter provado ele sem comida também!
 
Quinta do Vallado Reserva 2007
Região: Douro DOC - Portugal
Produtor: Quinta do Vallado
Importador: Cantu
Teor alcoólico: 13,5%
Casta(s): Rabigato - Verdelho - Viosinho - Arinto
Preço: R$ 133,00

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Niepoort Redoma Tinto 2007

Oitavo vinho degustado no City Tasting ViniPortugal Salvador, último antes do jantar.

Voltamos à região do Douro, com este Niepoort Redoma Tinto 2007.

Mais um vinho pelo qual passei muito rápido, tirando conclusões muito superficiais.

O vinho foi elaborado com desengace total dos frutos, estágio de 22 meses, sendo 60% em barricas de carvalho francês e 40% em tonéis, onde ocorreu a fermentação maloláctica. Feito com vinhas velhas, de idade entre 60 e 120 anos, as castas predominantes são Touriga Nacional e Franca, Tinta Roriz e Amarela, e a Tinto Cão. Segundo a ficha técnica, há outras castas não identificadas no vinho.

A cor é vermelho violáceo intenso, com lágrimas rápidas, finas e abundantes.

Intenso no nairz, mas não tão exuberante quanto os anteriores. Fruta vermelha em geléia, leve tostado bem integrado, e algo que lembrou couro. Mais uma vez, o ritmo acelerado da degustação não me permitiu me deter muito em desvendar outros aromas.

Seco, com acidez e álcool equilibrados, taninos presentes, com bastante adstringência e um leve amargor. Retro-olfato confirma o nariz, e persistência em 8-9 segundos.

Bom, mas passei rápido por ele...e ele por mim. Infelizmente não tenho conclusões mais seguras sobre ele. Quanto à crítica, recebeu 92 pontos da Wine Spectator, e 94 da Wine Enthusiast.

Niepoort Redoma Tinto 2007
Região: Douro DOC - Portugal
Produtor: Niepoort
Importador: Mistral
Teor alcoólico: 13,3%
Casta(s): Touriga Nacional - Touriga Franca - Tinta Roriz - Tinta Amarela - Tinto Cão - Outras.
Preço: R$ 156,64

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Quinta da Chocapalha Reserva Tinto 2006

Sétimo vinho degustado no City Tasting ViniPortugal Salvador, e quarto tinto da noite. 

Mais um belo vinho português degustado neste dia, mas que talvez tenha sido injustamente ofuscado devido à presença de outros grandes, como o Dúvida e o Herdade dos Grous. 

Elaborado na região de Lisboa, este vinho é um corte onde a Touriga Nacional predomina, complementada por Tinta Roriz e Syrah. As uvas passam por maceração pré-fermentativa a frio, com fermentação durante 12 dias em lagares. O vinho passa 18 meses por barricas novas de carvalho francês.

O vinho tem cor vermelho violácea intensa, com lágrimas rápidas, finas e abundantes, cheias de cor.

No nariz, muito intenso, com fruta escura e um floral típico dos vinhos que já bebi de Touriga Nacional. Confesso que acabei não atentando para outros aromas, possivelmente vindos do estágio em madeira, entre outras coisas. E sei que tinha mais aromas para perceber! Mas passei rápido demais por este vinho, por força das circunstâncias.
Na boca é encorpado, muito macio, com taninos bem finos. Álcool bem perceptível e boa acidez. Equilibrado no superlativo, marcando a boca com a sensação retro-olfativa e também com os taninos, álcool e acidez durante uma persistência de mais de 10 segundos.

Ficou aquela curiosidade em provar de novo, porque talvez eu tenha deixado passar muita coisa sobre um ótimo vinho, por estar empolgado demais com os anteriores, e também pelo ritmo meio apressado da degustação. O preço não me permite beber algo assim no cotidiano, mas espero um dia poder prová-lo com mais calma.

Quinta da Chocapalha Reserva Tinto 2006
Região: Vinho Regional Estremadura (atual Lisboa) - Portugal
Produtor: Quinta da Chocapalha
Importador: Vinci
Teor alcoólico: 14,5%
Casta(s): Touriga Nacional - Tinta Roriz - Syrah
Preço: R$ 158,22

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Dúvida 2005

Sexto vinho degustado no City Tasting ViniPortugal Salvador, e terceiro tinto da noite. 

Outro dos grandes vinhos portugueses que tive a oportunidade de beber no evento foi este Dúvida Tinto 2005, do renomado António Saramago, enólogo cujos vinhos já tive o prazer de degustar anteriormente e postar aqui no blog (seguem os links no final do post).

Elaborado no Alentejo com as uvas Aragonês, Trincadeira e Grand Noir (a Baga da Bairrada), este vinho passa por maceração pré e pós-fermentativa a frio, fermentação com temperatura controlada e dois longos estágios em barricas. Um primeiro de 12 meses em barricas novas de carvalho francês, e depois mais 12 meses em barricas novas de carvalho americano.

O resultado é um vinho de vermelho rubi muito intenso, com lágrimas rápidas, finas e abundantes.

No nariz é muito intenso e ainda assim, elegante. O estágio de 2 anos em carvalho não se mostra exagerado, pelo contrário, muito bem integrado, com um leve tostado, que vira caramelo em taça. A fruta já se mostra meio cozida, como compota de fruta vermelha com especiarias, frutas secas. Após um bom tempo em taça, aparece um curioso aroma de doce de tamarindo! Complexo, intrigante, e ainda assim delicioso.

Na boca eu esperava um vinho já mais resolvido, sem tantos superlativos. Ao provar, se mostrou bem encorpado, com muita estrutura, mas ao mesmo tempo com as arestas de álcool e taninos já aparadas. Aqui os taninos já estão finos, e o álcool bem integrado. A acidez é muito boa também. Retro-olfato confirma as impressões do nariz, delineando a fruta vermelha para framboesa. A persistência é longa, passando de 10 segundos.

Um grande vinho, que eu gostaria de ter provado tanto mais jovem (com uns 3 anos), quanto mais velho (com uns 7, 8). Confio que ele já deve ter sido delicioso no auge da juventude, e que deve ganhar ainda mais complexidade com alguns anos.
O preço infelizmente o torna uma experiência muito rara (para não dizer proibitiva), e definitivamente um luxo que o meu bolso não consegue manter. Ossos do ofício que o caro amigo enófilo já deve conhecer...

Outros vinhos de António Saramago degustados aqui, produzidos na Península de Setúbal com a uva Castelão: 

Dúvida 2005
Região: Vinho Regional Alentejano - Portugal
Produtor: António Saramago Vinhos
Importador: Casa dos Vinhos
Teor alcoólico: 14,2%
Casta(s): Aragonês - Trincadeira - Grand Noir
Preço: R$ 347,00

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Herdade dos Grous Reserva Tinto 2007

Quarto vinho degustado no City Tasting ViniPortugal Salvador, e primeiro tinto da noite. 

Sem dúvidas é um dos grandes exemplares de vinho português que já tive a oportunidade de provar!

Elaborado pela alentejana Herdade dos Grous, este vinho é um corte de 50% de Alicante Bouschet, 30% de Syrah e 20% de Touriga Nacional. Depois de passar por maceração prolongada e fermentação em lagares, o vinho estagia por 12 meses em barricas novas de carvalho francês. 

O resultado, como era de se esperar pelas castas que compõem o corte, é um vinho de coloração  vermelho violácea extremamente intensa, fechada mesmo. As lágrimas são rápidas, finas e abundantes, cheias de cor.

No nariz, muita intensidade aromática, e bela integração entre fruta e madeira, com aromas a ameixa, cerejas e muito chocolate. Sinto que perdi algumas nuances mais sutís, no entanto. Acontece na correria destas degustações de muitos rótulos.

Ao provar se destaca pelo corpo. É um vinho suculento, daqueles que dá a impressão de que você está mordendo uma fruta, com taninos firmes e de boa qualidade, persistência muito alta (20+), bela acidez e álcool la em cima, mas sem atrapalhar. O retro-olfato me trouxe as mesmas sensações do nariz, e mais uma vez a impressão de que a pressa me fez perder algo.

Ainda assim, já deu pra ver que é um dos belos vinhos portugueses que já provei, e que com certeza vai ganhar muito ao longo dos anos, quando arrefecer os superlativos, e afinar um pouco. Talvez aí as nuances apareçam.  Ainda assim, já está mais do que pronto para beber. Gostaria muito de degustá-lo novamente, em outro estágio, mais velho. Quem sabe um dia meu bolso permita!

Em tempo, recebeu 91 pontos da Wine Advocate.

Herdade dos Grous Reserva Tinto 2007
Região: Vinho Regional Alentejano - Portugal
Produtor: Herdade dos Grous
Importador: Épice
Teor alcoólico: 14,5%
Casta(s): 50% Alicante Bouschet - 30% Syrah - 20% Touriga Nacional
Preço: R$ 269,44

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Don Melchor 2005

Vinhos especiais pedem ocasiões especiais. Pode parecer um pensamento de pouca reverência ao vinho de minha parte, mas acho que um grande vinho ganha muito, quando apreciado ao lado das pessoas certas, em dias significativos. Não me agrada tanto a idéia de um vinho ser um evento, por si só.

E este Don Melchor 2005 que estava há um par de anos guardado não podia ter sido aberto em melhor ocasião. Aniversário de 55 anos de minha mãe, ao lado de minha família e namorada, aqui em casa.

Quanto ao vinho, dispensa grandes apresentações. Elaborado pelo renomado enólogo Enrique Tirado, este é um dos grandes vinhos-ícone do Chile e da gigante Concha y Toro.

colheita foi feita bem tarde, entre 19 de abril e 17 de maio, resultando em grande amadurecimento dos frutos. O corte de 2005 conta com 97% de Cabernet Sauvignon e 3% de Cabernet Franc (a proporção de Cabernet Franc varia ano a ano), passando por estágio de 15 meses em barricas de carvalho francês. 

As vinhas tem idade média de 20-27 anos, e ficam em uma altitude de 650 metros acima do nível do mar. Grande amplitude térmica (diferença de temperatura entre dia e noite) e solos pobres contribuem para o amadurecimento adequado das uvas.

Esta safra foi considerada excelente no Chile, e o Don Melchor 2005 contou com altas pontuações da crítica especializada, recebendo 94 pontos da Wine Advocate (revista do Robert Parker) e 96 pontos da Wine Spectator. 

Dando fim à expectativa de dois anos, abrimos o vinho! Ficou por quase uma hora em decanter antes de ser servido, mas é claro que separei uma tacinha logo depois de aberto, para degustar e notar a evolução.

A cor vermelho rubi é muito intensa e brilhante, e mostra ainda alguns reflexos violáceos, dando sinais de ser um vinho ainda jovem. As lágrimas são rápidas, finas e abundantes, com muita cor.

Destaca-se a intensidade aromática, muito, muito forte. Fruta exuberante, dentre as quais distingui ameixa e cassis. Notas de menta também muito perceptíveis. Fecham o conjunto uma especiaria (lembrou cravo) e notas tostadas e de café muito bem integradas ao conjunto, que foram se mostrando depois que começamos a beber, e continuaram bem presentes, em uma grande persistência aromática.

Depois da análise visual e olfativa, não poderia esperar menos do que um vinho muito potente, e não recebi menos do que esperava! Um vinho de encher a boca, com muito corpo, álcool extremamente perceptível, ótima acidez para equilibrar o conjunto superlativo. Taninos muito abundantes, adstringentes, mas de qualidade, sedosos e finos, sem travas excessivas ou amargores. 

O resultado é um vinho muito macio, apesar da potência e robustez. A persistência passou dos 30 segundos antes que eu parasse de contar, e o retro-olfato trouxe toda aquela fruta suculenta, as notas de menta, especiarias e tostado de volta, e também um quê meio terroso, que me agradou.

Conversei com pessoas que já conheciam este vinho antes de beber, e me disseram que aguenta chegar aos 10 anos tranquilamente, com ganhos. Concordo, e acho que vai melhorar. Mas sinceramente, para quem não se importa com vinhos "superlativos", cheios de fruta e muito potentes, este daqui está pronto para beber.

É delicioso, certamente um vinho especial, daqueles que não se toma todo dia (inclusive pelo preço). E este vinho coroou um dia que não merecia nada menos do que ele! 

Um brinde à minha mãe!

Don Melchor 2005
Região: Puente Alto (Vale do Maipo) - Chile
Produtor: Viña Concha y Toro
Importador: VCT Brasil (Concha y Toro)
Teor alcoólico: 14,5%
Casta(s): 97% Cabernet Sauvignon - 3% Cabernet Franc
Preço: R$ 350,00 - R$ 500,00

sábado, 19 de junho de 2010

Bourgogne Chardonnay Mommessin La Clé Saint Pierre 2007

Comprei este vinho há algum tempo em uma promoção na Ana Import (importadora dele), e decidi abrir ontem aqui em casa. O vinho é produzido pela Mommessin, que além de fazer vinhos na Borgonha, também elabora fermentados em Beaujolais (que na verdade oficialmente também é Borgonha) e no Rhône.

O vinho é amarelo-palha já com muita intensidade, evoluíndo para ouro, límpido e brilhante. As lágrimas são rápidas, finas e abundantes.

No nariz tem média intensidade, mas é muito elegante, com fruta lembrando pêssego e abacaxi, além de alguma coisa cítrica. São perceptíveis também aromas tostados muito bem integrados ao conjunto, além de baunilha e algo amanteigado. Tive a impressão de sentir uma leve mineralidade, mas não é algo conclusivo.

É macio na boca, com corpo médio e boa acidez; álcool refrescante, mas equilibrado; nenhum amargor; persistência grande, passando dos 10 segundos; e retro-olfato confirmando a baunilha, a fruta, e trazendo notas de mel no final.

Confesso que não tenho muito parâmetro para avaliar o vinho, uma vez que minha quilometragem com brancos da Borgonha é quase nula. Mas me pareceu muito bem feito. Boa estrutura aliada à elegância e uma persistência grande. Preciso conhecer outros de lá, da mesma faixa de preço.

Bourgogne Chardonnay Mommessin La Clé Saint Pierre 2007
Região: AOC Bourgogne (Borgonha) - França
Produtor: Mommessin
Importador: Ana Import
Teor alcoólico: 12,5%
Casta(s): Chardonnay
Preço: R$ 109,00